Botucatu - O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), que atende 68 cidades da região, suspendeu a realização de exames de imagem que necessitam de contraste, como a tomografia computadorizada, em razão da falta do insumo iodado no mercado internacional. De acordo com o hospital, a medida busca priorizar casos de urgência e emergência e segue orientações do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde.
O HC explica que está orientando a adoção de métodos disgnósticos alternativos quando possível. "Casos específicos serão discutidos pelo radiologista com o médico responsável, apoiado pelo Grupo de Trabalho para Acompanhamento do Uso Racional de Contraste Iodado, criado especialmente para acompanhar a situação atual", informa em nota.
A racionalização do uso de contraste iodado para exames e procedimentos médicos passou a ser orientada pelo Ministério da Saúde há aproximadamente um mês, em razão de problemas no fornecimento do produto gerados por medidas de lockdown na China adotadas por conta da pandemia da Covid-19, que afetaram a produção de indústrias chinesas.
Por meio de nota, o órgão recomendou a utilização prioritária do produto em pacientes de maior risco e em condições clínicas de emergência e urgência, a realização de tomografias sem contraste e, quando possível, substituição do procedimento por métodos diagnósticos alternativos, como a ultrassonografia, a ressonância magnética e a medicina nuclear.
A partir da nota do Ministério, a Secretaria de Estado da Saúde emitiu um comunicado aos Departamentos Regionais de Saúde e às Secretarias Municipais de Saúde alertando sobre o grave risco de desabastecimento do contraste iodado e orientando a otimização da utilização do insumo até a completa regularização do fornecimento mundial do produto.
Nesta segunda-feira (15), durante visita a Bauru, o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, falou sobre a falta do contraste. "O problema do contraste não é só do Estado de São Paulo, mas tem sido do Brasil, frente a todas as questões de conflitos externos e demandas pós-pandemia", declarou.
"O que temos orientado, enquanto as tratativas com os fabricantes vem sendo tomadas, é para que os exames sejam muito bem indicados, especialmente em condições emergenciais, de urgência, para que possamos garantir o insumo para estas oportunidades, onde a necessidade se faz premente. As tratativas vêm sendo feitas não só pelo governo do Estado, mas também pelo Ministério da Saúde, para que a gente possa regularizar o mais rápido possível esta demanda".