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Autoelogio

Gervásio Antonio Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

O que dizemos a nós mesmos determina, em grande parte, nossa maneira de sentir e agir. Constantemente mantemos diálogos internos e ruminamos sobre isso ou aquilo de modo consciente ou inconsciente, pela simples razão de que a mente é uma tagarela compulsiva. Essas conversas que o eu mantém consigo mesmo começam na tenra idade vão se configurando, ao longo dos anos, uma linguagem interna, que pode ser benéfica ou prejudicial para nossa vida, dependendo de seu conteúdo. É impossível ficar em um silêncio interno prolongado, a não ser que sejamos meditadores avançados com anos de prática. Você sempre terá algo a dizer, bom ou ruim, construtivo ou destrutivo, enriquecedor ou deprimente.

Quando falamos de autoelogio referimo-nos a uma maneira positiva e/ou construtiva de falar a si mesmo e se parabenizar quando acreditar ter feito as coisas direito. Não é necessário fazer isso em voz alta e em público ( pois seria malvisto e duramente criticado), mas pode fazê-lo em voz baixa (ninguém vai saber e será um idílio oculto consigo mesmo). Os autoelogios ("Parabéns, foi genial"; "Gosto do meu jeito de ser") costumam ser tão ou mais importantes para nossa autoestima

Três crenças irracionais que nos impedem de nos parabenizarmos. Embora as causas possam ser muitas, há três fatores principais a considerar na hora de explicar porque nosso diálogo interno não é autorreforçador. A) Não mereço ou Não foi grande coisa. Típico das pessoas que veem na modéstia, mesmo que falsa, e na subestimação das conquistas pessoais um ato de virtuosismo. Na realidade, é um ato de hipocrisia na maioria dos casos, porque, quando agimos corretamente, sabemos que o fizemos benfeito, sabemos que foi resultado de um esforço, de uma habilidade, ou de nossa competência. O sábio não nega a virtude que possui, o que faz é não buscar aprovação e aplausos, mas não se engana. Se você é bom em alguma coisa, o que fazer? Aceite simplesmente! Se a comunidade lhe dá reconhecimento ou congratulações honestas e francas, não os despreze nem dê a entender que estão enganados. Não diga que não merece, agradeça e se cale! B) Era meu dever ou Era minha obrigação. Essa atitude não é positiva para sua autoestima. Fez bem seu dever? Alegre-se! Dê-se um "muito bem"! Seu primeiro mesmo é para consigo mesmo. Dê-se um abraço! Até no mais vertical e autoritário dos sistemas as pessoas são premiadas e elogiadas. Se seu diálogo interno for o da obrigação absoluta, você não se sentirá no direito de se elogiar. Sentirá que é um ato de covardia e deixará de lado o prazer de se dar uma ou outra medalha simbólica. C) Elogiar-se é de mau gosto. Como já disse, fazendo-o para si mesmo, ninguém vai saber. Elogiar-se é uma necessidade que anda junto com a autoconservação ; sua mente fica mais segura e poderosa quando é mimada. D) O autoelogio, por definição, é um ato feito de maneira encoberta, sem espectadores de nenhuma espécie; é só para você. Cultivar o amor-próprio de maneira saudável (autocuidado) nunca é de mau gosto.

 O autor é diretor da Afresp, ex-delegado Regional Tributário, auditor fiscal da Receita Estadual aposentado, Coach/SBC.

 

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