A Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) da Câmara de Bauru ouviu nesta sexta-feira (19) a secretária de Cultura, Tatiana Sá, como parte da investigação instaurada para apurar as circunstâncias da viagem realizada pelo Clube da Viola a Campos do Jordão, com ônibus cedido pela Secretaria de Educação a pedido da Secretaria de Cultura, nos dias 12 e 13 de março deste ano. Para os membros da comissão, a oitiva confirmou irregularidades já identificadas por meio de provas e depoimentos anteriores que, na avaliação da presidente, Estela Almagro (PT), se enquadram na prática de improbidade administrativa. Tatiana assumiu a responsabilidade pela decisão de ceder o ônibus para a viagem nos termos como ocorreu.
Embora a secretária de Educação, Maria do Carmo Kobayashi, também tenha sido convocada para depor, apenas Tatiana Sá foi ouvida.
MEU ERRO
Tatiana garantiu que não tinha a informação de que a viagem era turística, como garantiu a presidente cessante do Clube da Viola, Nair Rosa da Nóbrega, e a acusou de mentir durante seu depoimento à Comissão.
Por outro lado, admitiu não ter perguntado para a presidente sobre a motivação da viagem ou qual seria o evento cultural do qual participariam. Questionada, opinou que uma reunião entre os músicos idosos hospedados no hotel da cidade turística poderia representar os interesses do município.
Porém, ao final do depoimento, reconheceu que errou por não ter inquerido a presidente do Clube sobre as informações da viagem. "Esse é o erro. Hoje eu percebo que é surreal não ter feito essas perguntas", disse.
ERRO ORIGINAL
Na avaliação do vereador Pastor Bira (Podemos), membro da Comissão de Fiscalização, que ponderou como graves as irregularidades, os erros no processo surgiram quando não foi questionada a motivação da viagem, que não estava especificada no requerimento feito à Educação. "O nascedouro do problema é o ofício no qual não se contemplava o interesse público, o fato cultural não existe", comentou.
A presidente questionou o fato de a secretária não ter seguido a orientação da Procuradoria Jurídica do município, que deu parecer contrário à cessão do veículo, de acordo com Tatiana Sá, porque julgou que o parecer não foi conclusivo.
O pagamento feito pelos integrantes do clube para participar do passeio também foi apontado e a secretária disse que a informação que teve após a viagem foi de que não haveria obrigatoriedade, apenas colaboração.
SEM PENSÃO
Participaram 43 pessoas e cada uma pagou R$ 300. O valor total arrecadado de R$ 12.900,00, segundo a presidente do Clube, foi destinado para o custeio da estadia em um hotel da cidade, que deu direito a café da manhã, almoço e jantar. Porém, informação da vereadora Estela Almagro é de que o hotel mencionado serve apenas café da manhã. "Este hotel não tem pensão completa, então temos dinheiro voando e não se sabe onde", sugeriu Estela.
A vereadora avaliou que todas as oitivas dadas até agora trouxeram contradições, mas ressalvou a forma como Tatiana Sá tratou da reunião que teve com a solicitante da viagem após o início da apuração pela comissão. "A naturalidade com que ela vê o escândalo e a ilegalidade nos causou perplexidade. Depois de três horas ela assume a responsabilidade, mas essa é uma atitude de governo. Os perigos para administração pública e para o erário estão muito explícitos. É uma situação muito grave", afirmou
A próxima reunião da CFC sobre a viagem está prevista para o dia 30 de agosto quando devem depor a secretária de Educação e, novamente, a secretária de Cultura.