Rio de Janeiro - O presidente Jair Bolsonaro, candidato pelo PL à reeleição, afirmou ontem (22), que aceitará o resultado das eleições, "desde que sejam limpas".
Bolsonaro foi sabatinado por William Bonner e Renata Vasconcellos, apresentadores do Jornal Nacional, e abriu a série de entrevistas aos vivo, de 40 minutos, que continua com Ciro Gomes (PDT) hoje. Amanhã será a vez de Lula (PT) e Simone Tebet (PMDB) encerra a série na quinta-feira. Os quatro são os mais bem apontados pelas pesquisas eleitorais.
TENSO
A entrevista começou tensa: Bolsonaro chegou a afirmar que nunca xingou ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). No ano passado, contudo, o chefe do Executivo chamou o ministro Alexandre de Moraes de "canalha". Mas ele preferiu desconsiderar. A relação com o agora presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), "pelo que tudo indica", está "pacificada", disse.
SIM ÀS URNAS
Sem olhar diretamente para a câmera, o que poderia mostrar mais interação com o telespectador, sempre de lado, Bolsonaro voltou a levantar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas, citando informações já refutadas pela Polícia Federal, mas cobrado pelos apresentadores a assumir um compromisso de que respeitará o resultado das eleições, ele disse que sim, mas condicionou: "Serão respeitados os resultados das urnas desde que as eleições sejam limpas".
FALTA DE COMPAIXÃO
Bolsonaro foi questionado se faltou compaixão por ter imitado pacientes de Covid-19 que tinham falta de ar. "A solidariedade eu manifestei conversando com o povo nas ruas, vendo pessoas humildes que foram obrigadas a ficar em casa sem ter um só apoio de governador ou prefeito. E nós demos auxílio emergencial imediatamente", se defendeu. E ainda negou ter retardado a compra de vacinas com as alegações de que a Pfizer pretendia impor condições impraticáveis. A CPI da Covid, no entanto, apontou que as propostas da farmacêutica ficaram meses sem resposta. Quando disse que quem tomasse vacina poderia virar "jacaré", usou uma "figura de linguagem" da literatura, justificou. Bonner, por sua vez, chegou a ironizar várias das respostas do candidato, exatamente como se referiu a ele, candidato, nunca o chamando de presidente, nem de Jair Bolsonaro.
ECONOMIA
O presidente falou das dificuldades econômicas para justificar o não cumprimento de promessas e defendeu a postura do ministro da Economia, Paulo Guedes no enfrentamento do problema que, segundo ele, foi causado pela pandemia e pela guerra na Ucrânia.
Apesar de Bolsonaro fazer críticas à Globo e de já ter até orientado sua militância a não assistir a emissora, a entrevista foi tratada pelo entorno do presidente como um dos momentos mais importantes da campanha. Bolsonaristas prepararam uma grande mobilização nas redes sociais para aumentar a repercussão da sabatina. A hashtag #BolsonaroNoJN foi usada em postagens nas redes sociais por ministros do governo e por filhos do mandatário.
COLA
Nas poucas vezes em que Bolsonaro ergueu as mãos, viu-se anotado na palma: "Nicarágua", "Argentina", "Colômbia" e o nome do doleiro "Dário Messer", mas ele não chegou a mencionar nenhuma das palavras anotadas.