Política

Câmara pede apuração de crime contra advogado da prefeita na CP

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente da Câmara, Markinho Souza (PSDB), protocolou na Delegacia Seccional de Bauru, nesta segunda-feira (22), uma manifestação contra o advogado que defende a prefeita Suéllen Rosim (PSC), na Comissão Processante (CP), Jeferson Daniel Machado, por suposta prática de crime de desacato a funcionário público. O fato teria ocorrido durante a última reunião da comissão, no dia 19, e na sessão desta segunda-feira (22) vários vereadores criticaram o comportamento do advogado. Uma nota de repúdio contra ele foi divulgada pela Procuradoria Especial da Mulher na Câmara. Em nota, o defensor alega abuso de autoridade por parte da presidente da CP, Chiara Ranieri (União Brasil).

Na última sexta-feira (19), vários secretários e diretores municipais acompanhavam o testemunho da prefeita com manifestações e aplausos, o que é proibido pelo Regimento Interno da Câmara. Após um aviso, a presidente da CP determinou que a galeria fosse esvaziada, segundo ela, para garantir o bom andamento dos trabalhos. O advogado então recomendou que os presentes não cumprissem a ordem da presidente, segundo o ofício protocolado pelo presidente da Legislativo, o que figuraria a infração prevista no artigo 331 do Código Penal.

SEM NECESSIDADE

O presidente da Câmara ressaltou que Chiara apenas estava fazendo o que determina o regimento da Casa. "O advogado, além de interromper diversas vezes a presidente, sem necessidade, num momento em que ela solicita para que os presentes se retirem, intervém e pede para que as pessoas permaneçam, ou seja, permaneçam atrapalhando os trabalhos", comentou Markinho, que não descartou a possibilidade de representar o advogado na Comissão de Ética da OAB.

Na sessão da Câmara foram várias as críticas feitas a Jeferson Machado devido às suas reações à condução da reunião pela vereadora Chiara.

Estela Almagro (PT), que é a Procuradora Especial da Mulher da Câmara, e quem assinou a nota de repúdio, foi uma das mais contundentes. "A postura do advogado, além de antiprofissional, extrapolou todas as prerrogativas do advogado, fez vergonha à classe a qual eu também represento. O que ele fez aqui é espetáculo de mau gosto. Tem que ser representado na OAB. Transformou a Câmara em picadeiro do gabinete da prefeita", bradou.

MISOGINIA

Na nota, a procuradora define como misógino o comportamento adotado pelo defensor. "As intervenções inoportunas do advogado da prefeita diante da condução dos trabalhos da presidente da Comissão perfazem em atuação misógina e sexista que se materializam em expressões e comportamentos, cuja finalidade intencional é ridicularizar e constranger a atuação da parlamentar", diz o documento.

Guilherme Berriel (MDB) definiu como "pouca vergonha" a postura do advogado e criticou a presença dos secretários à reunião, durante o horário de trabalho. Os vereadores Julio Cesar (PP) e Pastor Bira (Podemos) também desaprovaram o comportamento.

Assim como Coronel Meira (União Brasil), para quem o advogado faltou com respeito à presidente da Comissão Processante. "O advogado, representando a chefe do Executivo, quando ele disse ao plenário para que não atendesse à ordem dada pela vereadora, de certa forma incitou ao plenário a desobedecer a ordem legal. Isso não é atitude de um defensor em uma situação como esta", opinou.

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