Kiev - Em meio a relatos contraditórios naturais em uma guerra que antes de tudo é de propaganda, a contraofensiva anunciada pela Ucrânia para tentar retomar áreas ocupadas pelos russos no sul do país registrou combates mais intensos nesta semana.
Como seria óbvio, Kiev diz estar avançando e Moscou, que as tentativas ucranianas foram todas rechaçadas. Em comum, apenas a concordância de que há combates em curso na região de Kherson, cuja capital homônima foi a primeira cidade significativa a ser tomada pelos russos, em 3 de março, logo após a invasão de 24 de fevereiro.
Sites ucranianos mostraram vídeos de tiroteios registrados na cidade, que tinha 280 mil pessoas antes da guerra. Não é possível assegurar sua veracidade ainda, mas a administração russa da cidade confirmou ter havido conflitos na região.
Com efeito, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, apenas disse nesta terça que "a operação militar especial segue conforme o plano", o mantra de seu chefe, Vladimir Putin. Ele respondia à ameaça feita pelo homólogo ucraniano do presidente, Volodimir Zelenski, que na noite anterior havia dito que os russos precisariam fugir para sobreviver.
A ofensiva lançada na segunda não tem um desenho ainda definido, o que gera dúvidas acerca da capacidade de Kiev de romper de forma efetiva as linhas russas, que foram reforçadas durante o mês em que a ação foi propagandeada por Zelenski no intuito de obter mais apoio militar do Ocidente.
Nesse período, a Ucrânia introduziu o emprego de sistemas de artilharia com mísseis de precisão Himars norte-americanos. Eles foram usados para atacar depósitos de munição e quartéis russos mais distantes das linhas de frente, e também para ajudar a isolar a cidade de Kherson.
Como fica separada do resto do território ocupado pelos russos pelo rio Dnieper, a capital regional está em uma posição vulnerável. Pontes foram atacadas e fechadas, obrigando a construção de pontões e o uso de barcaças para transporte de suprimentos para a cidade pelos russos. Ainda assim, uma tomada física da cidade demandaria o tipo de combate de atrito que os russos têm preferido na guerra, com grande destruição, e diferentemente de outros locais ocupados há muitos ucranianos morando ainda em Kherson.