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Defesa da família

Carlos Alberto Di Franco
| Tempo de leitura: 3 min

O título deste artigo repercute recente editorial do jornal O Estado de S.Paulo: "A necessária defesa da família". Para o jornal, "cuidar da família não é bandeira ideológica ou religiosa. É zelar pela fundamental rede de apoio afetivo, social e econômico a que se recorre em primeiro lugar". O texto, certeira e corajosamente, encerra com uma afirmação redonda: "A família é tema de interesse público". Aproveito o oportuno gancho do Estadão para refletir sobre uma realidade essencial, mas muito maltratada ou ausente do debate público.

Família não é problema. É solução. A desestruturação da família, ao contrário, está na raiz de inúmeros problemas. Os conflitos familiares são, por exemplo, a principal causa que leva os jovens para o mundo das drogas. Embora exista uma série de fatores que podem fazer com que os jovens experimentem as drogas e se viciem (predisposição genética, fatores de personalidade, pressão do narcotráfico), a estruturação familiar é decisiva.

Não há nenhum âmbito de crescimento humano e ético, nenhum ambiente educativo, nenhum "coletivo" tão propício e eficaz para o cultivo das virtudes como a família bem estruturada. E isso é de suma importância, levando em consideração que, no mundo atual, cada vez aparece mais evidente que a sociedade precisa do oxigênio vital das virtudes. Decadência social e ignorância ou desprezo pelas virtudes são a mesma coisa.

Remontemos à sabedoria dos gregos. Qualquer estudioso da Antiguidade clássica sabe que entre os poetas e filósofos gregos - e, posteriormente, entre seus discípulos latinos - a grandeza do ser humano estava indissociavelmente vinculada à "aretê", conceito de rico conteúdo cuja tradução mais aproximada, na linguagem moderna, é precisamente a de "virtude". O homem vulgar - recorda Werner Jaeger na sua famosa Paidéia - não tem "aretê". E, nas pegadas de Sócrates, Platão reiterará que a virtude, a "aretê", é a que torna a alma bela, nobre e bem formada, a que abrange e eleva o "humano" em sua totalidade e irradia depois como glória na vida da comunidade.

Pois bem, perante isso, parece preciso perguntar-nos: onde é que a juventude aprende a "aretê", a virtude, que deve ser, acima de tudo, um valor reconhecido pela criança, pelo adolescente e pelo jovem, uma convicção enraizada, uma prática exercitada com empenho, da qual depende o bem da pessoa e da sociedade?

Não terá chegado já o momento em que os responsáveis pelos destinos do Brasil, em vez de se dedicarem a lançar lenha na fogueira onde se incineram os valores familiares, voltem a sua atenção para a família, conscientes de que está - em boa parte por culpa deles mesmos - frágil e doente? Eu não duvido de que é na família, na autêntica família, mais do que em qualquer outro quadro de convivência, o "lugar" onde podem ser cultivados os valores, as virtudes e as sábias "tradições", que constituem o melhor fundamento da educação para a cidadania. Só assim, não duvidemos, construiremos uma sociedade justa e democrática.

A crise ética que castiga amplos segmentos da vida pública brasileira, fenômeno impressionante e desanimador, tem seu nascedouro na crise da família. Os homens públicos não são fruto do acaso, mas de sua história. A virada ética, consistente e verdadeira, começa no âmbito familiar.

A família é, de fato, tema de interesse público.

O autor é Jornalista - difranco@ise.org.br

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