Santiago - Hoje cerca de 15 milhões de chilenos vão participar do plebiscito constitucional que irá definir se o país terá ou não uma nova Constituição. O processo começou em 2019 e deve ser concluído com a aprovação ou rejeição do novo texto. As pesquisas indicam a vitória do "não", mas a situação pode surpreender. Após um ano de escrita da nova carta magna e dois meses de consulta popular, o texto final passará pelo escrutínio público. A pergunta nas cédulas de votação é: "Você aprova o texto da Nova Constituição proposta pela Convenção Constitucional?". As opções de resposta são "aprovo" ou "rechaço".
SIM X NÃO
Pelo lado do "aprovo" foram realizadas manifestações massivas no último fim de semana e convocaram as últimas panfletagens porta a porta.
"Constatamos que o que mais falta é informação, conhecer o texto, conhecer o alcance das normas, porque ao ler o texto as pessoas aderem à proposta, por isso estamos centrando nossa campanha na panfletagem porta a porta e em conversar com as pessoas", comenta a ex-constituinte Elisa Giustinianovich Campos.
Já os setores que defendem o "não" estão focados na campanha nas redes sociais, inclusive atacando diretamente ex-constituintes, para fortalecer a ideia de que os deputados eleitos não estavam aptos para escrever uma nova carta magna para o país.
A decisão divide o país e, assim como aconteceu na eleição para presidente em 2021, a polarização deste processo eleitoral acirrou ainda mais os ânimos, que já andavam alterados desde os protestos sociais de 2019.
DÚVIDA
Quando o trabalho da assembleia constituinte começou, em julho do ano passado, tudo parecia indicar que as demandas dos milhares de chilenos que saíram às ruas para protestar em 2019 seriam ouvidas: menos desigualdade social, maior acesso à saúde e uma aposentadoria mais justa, em entre outras questões. A assembleia constituída de forma paritária, com lugares reservados aos povos indígenas e composta, em sua maioria, por membros identificados com ideias de esquerda, acabou redigindo um texto de direitos sociais, mas, estranhamente, não parece ter deixado os chilenos satisfeitos.