São Paulo - O empresário, fotógrafo e trineto de dom Pedro 2º, João de Orleans e Bragança, e o ex-governador João Doria estiveram presentes, com honras, na noite de terça-feira (6), no coquetel de reinauguração do Museu do Ipiranga, em São Paulo.
Doria foi bastante saudado e teve lugar de destaque. Afinal, então como governador se envolveu no processo de captação de recursos para as obras de restauração do Museu, convencendo 29 patrocinadores a doarem 178 milhões. O ex-governador estava acompanhado da mulher, Bia e fez questão de fazer uma selfie para suas redes sociais à frente do local, ao lado dela.
A reabertura do espaço cultural após nove anos reuniu também políticos paulistas como o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e representantes do governo de Jair Bolsonaro (PL), a exemplo do secretário especial da Cultura, Hélio Ferraz de Oliveira.
TROCA DE FARPAS
Houve troca de farpas entre o secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado, Sérgio Sá Leitão, e o ministro do Turismo, Carlos Alberto Gomes de Brito. Sá Leitão acusou o governo federal de querer "capitalizar em cima da entrega do Museu". O ministro saiu em defesa da gestão Bolsonaro e foi vaiado.
CORAÇÃO CRITICADO
A vinda do coração de dom Pedro I para o Brasil é "mórbida e triste", disse João de Orléans e Bragança, tataraneto do primeiro imperador do Brasil.
O empresário e fotógrafo se refere à viagem do órgão do monarca português para o país, atividade que integrou as comemorações do bicentenário da Independência.
EM BRASÍLIA
O coração esteve exposto no Palácio do Itamaraty, em Brasília, onde foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com honrarias de chefe de Estado.
A visita não integrou o calendário da inauguração do Museu em São Paulo.
"Isso é um uso eleitoral da memória de dom Pedro Iº, não um ato cívico", opina Orléans e Bragança. Ele também destacou a trajetória política do tataravô. "Na época do Império, havia estadistas. Dom Pedro I, por exemplo, foi criado no absolutismo, mas se tornou um liberal", disse.
À reportagem, ele também refletiu sobre os 200 anos de Brasil independente. "Avançamos de 1822 para cá. Temos uma democracia há mais de 30 anos. Mas há muito para melhorar. Nossa desigualdade social é muito alta, e existe o racismo, que é uma vergonha".
NESTA QUARTA
O empresário, que vive em Paraty, esteve também ontem pela manhã no Museu do Ipiranga.
Orléans e Bragança esteve com os netos na visita ao museu e reforçou a importância da reabertura pelas reflexões que o espaço traz. "Gostei muito das mesas multissensoriais", diz.
CONVIDADOS
Nesta quarta (7), a instituição recebeu a visita de alguns convidados, de estudantes de escolas públicas e dos operários que trabalharam nas obras de reforma e ampliação, com suas famílias.
A reabertura para o público em geral ocorre nesta quinta, dia 8. Os ingressos para a visita nos primeiros meses são gratuitos e estão disponíveis até o início de novembro, mas é preciso reservá-los com antecedência (leia abaixo como conseguir seu ingresso).