Tribuna do Leitor

'Agora, Inês é morta'

Cecília Costa
| Tempo de leitura: 2 min

Quantas vezes já ouvimos este ditado. É uma expressão da língua portuguesa que significa "não adianta mais". Esta frase está relacionada com um dos romances mais trágicos de Portugal. Inês foi o amor proibido do infante D. Pedro.

Foi no ano de 1355 que Inês de Castro foi morta em uma emboscada, enquanto o seu amado estava viajando.

O Infante Pedro era o futuro rei de Portugal, filho de D. Afonso IV. Por interesses políticos, casou-se com Constança, uma nobre castelhana. Entre as damas de companhia de Constança estava Inês de Castro, uma mulher muito bonita, pela qual o príncipe se apaixonou. Apesar de casado, mantinha encontros românticos com Inês, provocando escândalo na corte.

Seu pai, para acabar com o romance, exilou Inês na fronteira da Espanha, mas a distância não esfriou o amor entre os dois.

Após a morte de sua esposa Constança, ao dar à luz o segundo filho, Pedro trouxe Inês de volta e passou a viver maritalmente com ela, afrontando o rei D. Afonso IV e provocando forte reprovação da realeza.

Tiveram quatro filhos.

D. Afonso IV, sentindo seu trono ameaçado, aproveitou quando Pedro estava viajando e mandou assassinar friamente Inês. Quando Pedro voltou e descobriu o que seu pai tinha feito, entraram em conflito armado por meses, não perdoando seu pai.

Quando D. Afonso IV morre, D. Pedro I é coroado como Rei de Portugal (não confundir com D. Pedro I do Brasil, pois este é o D. Pedro IV em Portugal), vinga a morte de sua amada, caçando os assassinos e revelando seu casamento secreto com Inês, o que significa que ela seria a Rainha póstuma.

O rei D. Pedro I exige que coloquem o cadáver da amada no trono e obriga a nobreza portuguesa a beijar a mão da rainha morta. Manda construir dois magníficos túmulos, que foram colocados um a frente do outro. Conta a lenda de que quando despertassem no dia do juízo final poderiam olhar um nos olhos do outro.

Quem visitar o Mosteiro de Alcobaça em Portugal pode verificar toda esta beleza numa arquitetura gótica que é patrimônio mundial da Unesco. Pode-se também visitar a Quinta das Lágrimas e a Fonte dos Amores em Coimbra, o local onde Inês foi assassinada, e ver de perto as algas vermelhas que simbolizam o sangue derramado.

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