Tribuna do Leitor

É responsabilidade, e não medo

Marcelo Rubens Machado Biólogo e arquiteto
| Tempo de leitura: 2 min

Ao ler a Tribuna do Leitor do último dia 2/9, a sra. Montezuma Assaf me fez recordar as histórias que nossos pais nos contavam sobre um temeroso "homem do saco", que assombraria as crianças caso elas não se comportassem.

A leitora tenta traçar um paralelo entre o medo que nossos pais nos impunham a um suposto medo que o Estado tenta impor aos cidadãos.

Aos fatos.

Primeiramente, o uso do celular não está proibido durante a eleição, sra. Montezuma, mas somente no momento do voto, quando estivermos na cabine de votação.

É bem diferente!

São menos de 10 segundos sem o querido aparelho, procedimento que nos obrigam toda vez que precisamos adentrar uma agência bancária ou passar pelo raio-X antes de tomarmos um voo. Entretanto, deixar o celular para votar, o que ocorre a cada dois anos, parece incomodar muito mais.

Vale ressaltar que essa medida se deve aos inúmeros vídeos, feitos por apoiadores do atual presidente em 2018, que mostravam a foto de Lula na urna eletrônica, mesmo o eleitor tendo voltado em Bolsonaro, vídeos comprovadamente editados e falsos, como demonstrado por perícias.

A leitora também entende por "conversa relaxada" textos que defendem um golpe de Estado em nosso país. Além de configurar crime (sim, leitora, liberdade de expressão tem limites!), a tal "conversa relaxada" se dava entre empresários milionários que, reconhecidamente, financiaram movimentos "populares" antidemocráticos no 7 de setembro de 2021.

Compreensível a precaução da Justiça brasileira, especialmente quando nos deparamos com notícias de crimes ocorridos por divergência políticas, como o que ocorreu semana passada em um culto religioso em Goiânia e o que ocorreu em julho, quando um apoiador do atual presidente matou um pai de família (petista) que comemorava seu aniversário de 50 anos, diante de amigos e familiares.

Assim mesmo, muitos apoiam o relaxamento para a compra de armas no país. O atual presidente, inclusive.

Uma outra curiosidade: a palavra "medo" usada pela leitora foi trazida ao debate político por uma apoiadora de Jair Bolsonaro, Regina Duarte. Em 2002, ela dizia ter medo de Lula. Eu tenho medo de armas e golpes. Democracia acima de tudo. Paz acima de todos.

Comentários

Comentários