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Falta interesse municipal pela acessibilidade, diz Comude

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

A luta é diária e, a indignação, também. Bauru avançou com acessibilidades urbanas nos últimos anos, sobretudo em vias de grande concentração de comércios, mas ainda falta muito a ser feito para a mobilidade de pessoas com algum tipo de deficiência ou dificuldade de locomoção. Prédios públicos, por exemplo, ainda são limitantes, além de calçadas e até casas noturnas. O apontamento é do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (Comude).

O Setembro Verde, mês da inclusão social, terá entre os dias 19 e 26 deste mês a tradicional Semana Municipal de Prevenção às Deficiências. Anualmente são realizadas na cidade uma série de atividades, discussões e palestras promovidas pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), em parceria com o Comude.

Houve, inclusive, uma reunião na tarde desta quarta-feira (14), no centro administrativo onde reúne as secretarias de Planejamento (Seplan), de Obras e Defesa Civil. O prédio, situado na quadra 14 da Nuno de Assis, tem rampas de acesso, mas que vão somente até a recepção. Quem é cadeirante não pode ir nos andares superiores. O local não tem elevador, apenas escadarias. E por isso a reunião com uma representante do Comude precisou ser no térreo.

Ariani Queiroz de Sá, presidente do Comude, faz um desabafo: "A acessibilidade não é uma preocupação que faz parte do Poder Público, infelizmente. Já estou cansada, inclusive, com relação ao Comude, porque quando somos consultadas, nada acontece. O município até nos ouve, mas não executa".

Ela diz ainda que é preocupante o desinteresse prático em fazer placas de libras nos prédios municipais e nas unidades de saúde. Recentemente, Bauru recebeu duas vans de transporte público adaptado, mas ao irem testar estes veículos, notaram que foram feitos de forma incompatível, sem espaço hábil para o cadeirante.

'BALADA'

Outro problema do deficiente é a vida noturna. "O cadeirante também tem direito de se divertir, não tem?. Mas nos barzinhos que eu já fui, a dificuldade é enorme para nós, principalmente para ir ao banheiro. É preciso mais fiscalização", alerta a presidente do Comude.

ROTAS

A vice-presidente do Comude, Caroline Michele Pereira, 36 anos, perdeu a perna esquerda abaixo do joelho em um acidente de trânsito, há 5 anos e meio. Ela trafegava de moto quando foi atingida por um motorista embriagado. Caroline ainda tem dificuldade de se adaptar à prótese. "Tenho uma deficiência que poderia ter sido prevenida. E é justamente as prevenções que levamos nas palestras, além de mostrar as necessidades e particularidades dos deficientes", comenta.

Ela destaca que Bauru tem rotas acessíveis em vários lugares, como a Duque, Nuno, Nações e Rodrigues. O Calçadão, no Centro, está longe do ideal e os bairros têm acessibilidade zero. "Não basta fazer rampa. O calçamento tem que ser nivelado e não pode ter árvores ou obstáculos no meio do passeio público", cita Caroline.

CÂMARA

Outro local que causa desconforto para as cadeirantes do Comude, segundo Ariani, é o prédio da Câmara Municipal. Ela relata que a tribuna da Casa de Leis não é adaptada para essa finalidade. Ela acrescenta que já foi até ao local várias vezes, sempre sendo bem atendida, no entanto, houve uma situação, há um mês, em que o elevador quebrou e ela precisou ser carregada pelas escadas, causando constrangimento público. O vereador e presidente da Câmara, Markinho Souza, explica que este problema é devido ao imóvel ser bastante antigo e que a tribuna tem o padrão seguido em outros municípios.

APLICATIVO

Outra chateação que ambas concordam é com o descaso de motoristas de aplicativo. Não todos, mas a maioria. Ariani relatou a falta de empatia de um que tentou cancelar a corrida, alegando não ter como colocar a cadeira dela, dobrável, dentro do automóvel. Já Caroline cita que é frequente estes profissionais irem em frente ao seu local de embarque, mas passarem reto e cancelarem a corrida, alegando motivos diversos e mentirosos.

PREFEITURA

Em nota da prefeitura, com relação ao Centro Administrativo, cita que tem um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público no sentido de adequação do prédio ou mudar para outro local acessível para pessoas com deficiência. Com relação aos novos empreendimentos que são aprovados na Seplan, todos contam com projeto de acessibilidade que precisam passar pelo crivo do público. Há cobrança do Poder Público para que as novas obras atendam às normas de acessibilidade.

Por outro lado, por intermédio da Obras e Seplan, há intervenções pontuais, mas constantes, prestando contas ao Ministério Público e atuando junto com o Comude. Nesse sentido, foram construídas inúmeras rampas de acessibilidade no Terminal Rodoviário, em avenidas importantes como a Nuno de Assis, Luiz Edmundo Coube e Nações Unidas, além de diversas ruas na região central da cidade. O piso tátil foi implantado em diversas praças e áreas verdes, incluindo o Jardim Sensorial, no Jardim Botânico.

ATIVIDADES

O Dia Nacional de Luta da Pessoa Com Deficiência é quarta-feira (21) e haverá eventos na Unisagrado e na Feira Livre do Vitória Régia. O Lions Ligados ao Autismo e Diabéticos vai apoiar a iniciativa. A programação completa ainda será divulgada pela prefeitura.

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