Pequim - Na primeira reunião cara a cara com o presidente russo, Vladimir Putin, desde a invasão da Ucrânia, o presidente chinês Xi Jinping disse que “a China está pronta para trabalhar com a Rússia para estender um forte apoio mútuo em questões relativas aos seus respectivos interesses centrais”, segundo a mídia estatal, mas quer salvaguardar a segurança, um pito de certa forma para quem acaba de se lançar numa guerra sem data para terminar.
“A China também está disposta a aprofundar a cooperação pragmática em áreas como comércio, agricultura e conectividade”, e os dois países devem “expandir a cooperação pragmática, salvaguardar a segurança e os interesses da região e preservar os interesses comuns dos países em desenvolvimento e dos países emergentes”, disse o líder chinês.
Xi pediu que a China e a Rússia “fortaleçam a coordenação” dentro da Organização de Cooperação de Xangai, a Conferência sobre Interação e Medidas de Fortalecimento da Confiança na Ásia, os BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e “outros mecanismos multilaterais para promover a solidariedade e confiança mútua entre as partes relacionadas”, segundo a Xinhua, agência chinesa de notícias.
A reunião ocorreu às margens do encontro da Organização de Cooperação de Xangai, uma entidade criada em 2001 para debater interesses mútuos na Eurásia --nesta reunião, no Uzbequistão, outro adversário dos EUA, o Irã, anunciou que será o nono membro pleno do grupo.
LOCAL
O local do encontro, a mítica Samarcanda que marcava ponto central da antiga Rota da Seda entre a China e o Ocidente, foi palco simbólico das pretensões de Xi. Sua Iniciativa Cinturão e Rota é o maior projeto multinacional de infraestrutura do mundo, apesar de ter perdido o ímpeto inicial.
E Pequim busca maior interlocução e influência na Ásia Central, um território geopolítico que costumava ser russo, pela herança soviética. Com uma economia dez vezes maior do que a russa, tem musculatura para tal, mas o faz com jeitinho: Putin e Xi se reuniram com o líder da Mongólia para anunciar planos de projetos energéticos conjuntos, com o russo enaltecendo a união com a China para a segurança global.