Brasília - Apenas quatro redes estaduais de ensino avançaram no desempenho em matemática no ensino médio durante a pandemia. Em português, oito redes conseguiram aumentar a nota em comparação a 2019.
Os resultados são do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), principal termômetro da educação brasileira, e foram apresentados pelo Ministério da Educação nesta sexta-feira (16).
A média nacional indicou queda de aprendizado dos estudantes em todas as séries, nas escolas públicas e privadas, nas duas áreas avaliadas.
A Constituição Federal define que os estados são os responsáveis pelo ensino médio. A cada dez alunos nessa etapa, oito estão matriculados em escolas ligadas às secretarias estaduais de Educação.
AMAPÁ
O Amapá foi o que teve maior melhora nos resultados, tanto em matemática como em português nessa etapa de ensino. O estado figura como o 21º no ranking de matemática, mas avançou três pontos na área --a média passou de 248,72, em 2019, para 251,96, em 2021.
Também foi o que mais avançou em português, com um aumento de 6,99 pontos.
Roraima, Pará e Rio Grande do Norte também tiveram avanços nas notas de matemática e português no ensino médio. Já Acre, Santa Catarina, Pernambuco e Tocantins tiveram melhoria apenas nos resultados de português.
PANDEMIA
Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, pondera que, no cenário adverso em que os dados do Saeb foram coletados por conta da pandemia, é preciso olhar com cautela para melhorias e recuos de desempenho.
O ensino médio foi a etapa com menor participação de alunos e escolas na avaliação, o que pode levar a resultados artificiais. Segundo os dados do Saeb, só 61,4% dos alunos de 3º ano do ensino médio fizeram a prova - em 2019, a participação foi de 75,6%. Apenas 37,8% das escolas que ofertam essa etapa participaram da avaliação, contra 63,6% há três anos.
É provável que os estudantes mais vulneráveis e que tiveram mais dificuldades para acompanhar as atividades remotas tenham ficado de fora da avaliação.