Bauru e região têm 127 pessoas na fila por um transplante de rim. Elas integram um universo de cerca de 550 pacientes que fazem hemodiálise ou diálise peritoneal (método realizado por meio de um cateter flexível implantado na barriga) diariamente por conta de insuficiência renal, tratamentos que impactam profundamente a vida desses indivíduos. Os dados são da Associação Bauruense de Apoio e Assistência ao Renal Crônico (Abrec).
Na avaliação da entidade, é preciso melhorar a conscientização da população sobre a importância de se declarar doador. Para tanto, a associação chama atenção para o 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos. Por conta da data, inclusive, o mês ganhou a cor verde e passou a ser considerado o período de sensibilização ao assunto.
No Estado de São Paulo, 14,6 mil pacientes estão à espera de um rim, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Chama atenção o número de transplantes realizados em 2022, pois ainda não atingiram o patamar da pré-pandemia (leia mais abaixo).
Segundo Solange Amaral, administradora da Abrec, o ideal seria que essa fila fosse mais ágil. "Se você pensar que são 127 pessoas há anos esperando para se livrar de um tratamento bastante restritivo, então são poucos procedimentos. Bom seria se todos os 550 fossem transplantados ou que essa fila fosse tão rápida quanto a necessidade".
Além da necessidade de ampliar os doadores, há outras dificuldades neste cenário: casos de doenças impeditivas, como diabetes, nos pacientes necessitados; pessoas que não querem ser transplantadas pelo risco de rejeição do órgão ou porque terão que tomar imunossupressor para o restante da vida; e ainda situações em que o paciente não está apto a receber o órgão quando a oportunidade aparece.
CONSCIENTIZAÇÃO
Solange Amaral reforça a importância da conscientização sobre a doação de órgãos. Para ser doador, basta conversar e deixar claro esse desejo para a família.
Após a comprovação de morte encefálica, somente os parentes próximos podem autorizar o procedimento. "Ainda há pessoas com temor de que vão matá-las para tirar os órgãos. Isso é 'folclore'. Precisamos falar com mais frequência sobre os transplantes e os benefícios que eles trazem", afirma a administradora.
SEGUNDA CHANCE
Diagnosticada com uma doença autoimune, a bauruense Isabella Brianez Leonaldo Silva, 32 anos, viu a vida virar de ponta-cabeça e passou um ano e nove meses fazendo diálise peritoneal. "Te limita demais. Fazia tratamento durante nove horas, todos os dias. Não podia trabalhar, viajar, estudar... é muito prejuízo", lamenta.
Após esse tortuoso período, ela, finalmente, entrou para a fila de espera por um rim e, meses depois, surgiu um doador.
Transplantada há quatro anos, Isabella comemora a retomada da vida. Voltou a trabalhar, fez uma segunda graduação e casou-se. "É uma segunda chance na vida. O doador realiza um verdadeiro ato de amor. Por isso, ter essa conversa com a família é tão importante".