Nova York - O secretário-geral da ONU, António Guterres, colocou a crítica à invasão russa da Ucrânia no centro de seu discurso na abertura da sessão da Assembleia-Geral da entidade nesta terça (20). O líder da entidade usou o acordo para exportação de grãos da Ucrânia durante a guerra, mediado pela organização com ajuda turca, como exemplo de sucesso na crise. Tal questão segue em aberto.
"Diferenças geopolíticas estão minando o Conselho de Segurança. Não podemos continuar assim", afirmou, citando o órgão mais importante da ONU, onde Rússia e China se aliam contra os EUA, Reino Unido e França, os outros membros permanentes do arranjo político que estruturou a ONU na esteira da Segunda Guerra Mundial.
Guterres enfatiza que "mundo está em perigo e paralisado" e "as divisões geopolíticas estão minando o trabalho do Conselho de Segurança, o direito internacional, a fé nas instituições da democracia e a cooperação internacional. Não se pode continuar assim", criticou Guterres.
Iniciada em fevereiro deste ano, a partir da invasão russa ao território ucraniano após uma escalada de tensões, a guerra tem desafiado as potências a encontrar medidas para manter a produção e o escoamento de alimentos dentro de alguma normalidade.
O secretário-geral também destacou outros pontos de preocupação da ONU, como conflitos na República Democrática do Congo e o drama humanitário no Afeganistão devido à retomada do Talibã. Há ainda a crise climática. Segundo ele, a humanidade trava uma "guerra suicida" contra a natureza.
No mais, generalidades sobre guerra cibernética, pedido de ajuda aos mais pobres e a preocupação perene com a crise climática. "Temos um encontro com o desastre climático. Nosso mundo é viciado em combustíveis fósseis", afirmou, lembrando das enchentes bíblicas que atingiram um terço do Paquistão e comparando a desinformação sobre o tema pela indústria de hidrocarbonetos com o que ocorreu com fabricantes de cigarro décadas atrás.