Sobraram insinuações, provocações e críticas na sessão da Câmara desta quarta-feira (21), especialmente entre os vereadores que votaram a favor da cassação da prefeita Suéllen Rosim (PSC), cujo mandato foi mantido na noite de terça-feira (20). Para cassar a prefeita seriam necessários 12 votos em, ao menos, uma das acusações feitas contra ela, mas o placar foi de 8 a 9 em duas e 9 a 8 na terceira. Com isso, o processo foi arquivado. Além da prefeita, o outro alvo das críticas foi o presidente licenciado Markinho Souza (PSDB), que votou contra a cassação nas acusações por omissão e negligência, e foi favorável pela indicação de falta de decoro.
O primeiro a se pronunciar na sessão de estreia de Guilherme Berriel (MDB) como presidente da Mesa, uma vez que Markinho se licenciou por 30 dias, foi o vereador Coronel Meira (União Brasil). Ele usou pedaços de papel que imitavam notas de dinheiro para citar um episódio envolvendo o ex-presidente da Cohab Edson Gasparini Júnior. Usou o ocorrido para criticar quem votou contra a cassação sob a alegação de que não foi comprovada a ocorrência de crimes pela prefeita. "Só acredita em coisa errada quando acha dinheiro vivo? Política suja, imunda, dá nojo de ver isso aqui", questionou, e comentou sobre os votos do presidente licenciado Markinho Souza. "Isso é o verdadeiro em cima do muro!", afirmou.
SEM NOMES
Sem citar nomes, Chiara Ranieri (União Brasil) sugeriu que o eleitor escolha melhor seus próximos representantes na Câmara Municipal e não eleja "pessoas mandadas por alguém. Se a gente tem dono, tem que dizer que tem dono. Quem é que manda na gente", sugeriu.
Ainda sem identificar a quem se referia, a vereadora citou o Executivo de forma geral para apontar problemas que seriam esquecidos pelo governo municipal. "Por que são esquecidas? Porque a pessoa não sabe nada dos problemas da cidade, mas tem gente que bate palma", disse ela.
VAI CONTINUAR
Já Estela Almagro (PT) se referiu nominalmente ao presidente da Câmara para acusar Markinho Souza de "covarde" por seus votos e postura durante a sessão de julgamento. "Ontem, ficou inequívoco que o senhor foi chapa branca desde o primeiro momento. Agora eu sei de que lado vossa excelência está e sei por que esta Câmara está de joelhos para o Executivo", disparou.
A petista também citou nominalmente Suéllen para afirmar que a prefeita teria desrespeitado a Câmara e os vereadores, e garantiu que a Comissão de Fiscalização e Controle, da qual é presidente, intensificará a fiscalização sobre os atos e ações da gestão pública de Bauru. "Não pense que esta absolvição de ontem lhe fará impune de todas as investigações que já começamos", garantiu.
O vereador Eduardo Borgo (PMB), assim como Pastor Bira (Podemos) e a estreante no parlamento, Thaís Boonen Viotto, também criticaram a postura da prefeita, enquanto o líder do governo na Câmara, vereador Júnior Rodrigues (PSD), adotou o discurso de união entre o Legislativo e o Executivo. "Nós temos divergência, opiniões contrárias, mas temos que nos respeitar, respeitar a democracia. E eu assumo este compromisso de, como líder do governo, continuar dialogando", garantiu.
LAMENTO
Sobre as críticas recebidas, o presidente da Câmara disse que lamenta a fala de alguns vereadores. "Vivemos tempos difíceis onde está cada vez mais escasso o respeito à democracia. Eu respeito todos que possuem pensamentos e votos divergentes do meu, pena que a recíproca não é verdadeira", comentou.
Markinho explicou, sobre seus votos, que nos dois primeiros considerou a ação de prefeitos anteriores, mas na terceira acusação ficou clara a ação irregular da gestora, e se defendeu ao avaliar que apenas por ter tido uma condução firme os trabalhos se desenvolveram de forma tranquila.
Questionada sobre as críticas e comentários feitos pelos vereadores, por meio de sua assessoria a prefeita alegou que "não tem mais nada a declarar, além do que já foi falado nos depoimentos dela e nas entrevistas".