Moscou - Após meses de expectativa, a confirmação de que a Rússia fará uma mobilização para a Guerra da Ucrânia, ainda que parcial, gerou renovados protestos em quase quatro dezenas de cidades de maior porte no país. Em pronunciamento, o presidente convocou 300 mil reservistas. Vladimir Putin disse também ter prorrogado contratos dos soldados que lutam na Ucrânia por tempo indeterminado. E fez ameaças ao Ocidente.
O anúncio levou centenas de pessoas às ruas e houve repressão da polícia de Putin. Lá os protestos só são permitidos com anuência do próprio governo.
Com os atos, veio a inevitável repressão que marca a intolerância do Kremlin com o dissenso nos últimos anos, que ganhou força de lei com a invasão russa do país vizinho, em fevereiro. De lá para cá, uma nova lei coibindo críticas aos militares e mesmo proibindo o uso da palavra guerra, sob pena de até 15 anos de cadeia, calou na prática o que restava de oposição.
Segundo o OVD-Info, uma ONG de monitoramento de abuso policial, até a meia-noite (18h em Brasília) havia 1.349 detidos em 38 cidades do país. A Rússia tem 146 milhões de habitantes.
O número relativamente baixo se explica primariamente pela repressão. Houve protestos maiores no começo da guerra, que minguaram aos poucos: ao todo, desde fevereiro, o OVD-Info contou 16.437 pessoas detidas em todo o país.
Nesta quarta, houve atos também na Sibéria, além de Moscou e São Petersburgo.