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Redução de incêndios no Estado contribui para chuvas em Bauru

André Fleury Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Após longo período de estiagem e antes mesmo de terminar o mês, Bauru registra neste setembro o melhor índice de chuva acumulada em quatro anos. Com 60,2 milímetros de água precipitada até as 19h40 desta segunda-feira (26), o município pode encerrar o mês com quatro vezes mais chuvas na comparação com o mesmo período no ano passado, indicam dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru.

Os números vêm também na esteira de uma maré positiva registrada na lagoa de captação do Rio Batalha, cujo nível está estabilizado nos 3,2 metros, considerado ideal. Ainda que bem-vindo, o saldo acumulado positivo ocorre num cenário ainda atípico, explica Mamedes Luiz Mello, pesquisador do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

São vários os fatores que explicam os dados deste ano, diz o pesquisador, mas especialmente a redução nas queimadas registradas em território paulista. Neste ano, por exemplo, foram 315 focos de incêndio no Estado contra outros 2.277 registrados no ano passado.

Já em setembro, por sua vez, há 258 ocorrências de queimadas até o momento, contra 1.663 registros no mesmo mês do ano passado, no Estado. A queda nas ocorrências de incêndio, entre outras coisas, favorece a entrada de frentes frias na região - a exemplo da que atingiu o Sudeste no último final de semana. "O maior índice de chuvas deve permanecer na média ou acima dela também nos próximos meses", afirma. Bauru não escapa da previsão.

O "La Niña" - fenômeno que diminui a temperatura dos oceanos e causa instabilidade nos padrões de chuva no Brasil, entre outros países - também contribuiu para ocasionar as chuvas de setembro. Mais comum no inverno, o evento deve permanecer ainda durante a primavera, segundo avaliação do Inmet, e garantir chuvas na média ou acima dela nos próximos meses.

Embora atípico, o acumulado positivo de setembro não deixa de ser um suspiro para Bauru. Há exatamente um ano, afinal, o município enfrentava um duro rodízio de abastecimento, e bairros passavam até 48 horas sem água. Àquela altura, o nível da lagoa do Batalha atingia 2,5 metros - muito longe de seu ideal.

Há pouco mais de duas semanas, o DAE de Bauru anunciou a redução da dependência do Rio Batalha para o abastecimento do município em pelo menos 15%. Segundo a autarquia, a abertura de novos poços e mudanças na rede de distribuição contribuíram para a medida - o rodízio, porém, não está completamente descartado, como já informou o JC.

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