Neste país de grandes desigualdades econômicas, sociais e culturais os eleitores terão que tomar uma importante decisão, em conjunto, no dia dois de outubro, que é o voto. Aí, na hora de apertar a tecla do voto, a decisão do rico não é mais importante que a do pobre e a do empregado não será inferior à do patrão. Todas serão iguais em direito e responsabilidade, a diferença estará apenas nas consequências para a nação, o que não depende da decisão individual, mas da coletiva. A decisão individual tanto pode coincidir com a que elegeu o candidato de sua preferência ou ficar entre os perdedores, podendo apenas festejar a vitoria ou amargar a derrota, mas devendo sempre aceitar pacificamente o resultado. O resultado coletivo, por sua vez, tanto pode representar uma decisão acertada como desastrosa para a nação. Isso acontece porque cada eleitor decide conforme seu modelo mental e a formação de maioria, como manda a regra, é aleatória.
Sobre a tomada de boas decisões, em 1990, Peter Senge, um respeitado professor do MIT¨(Instituto de Tecnologia de Massachusetts) publicou um livro expondo sua teoria para o treinamento em liderança e gerência, que teve grande repercussão no estudo da administração. "Chama-se "A Quinta Disciplina", que é um conjunto de cinco disciplinas englobadas pelo Raciocínio Sistêmico. Uma dessas disciplinas é o Modelo Mental, que ele define como "ideias profundamente arraigadas, generalizações, ou mesmo imagens que influenciam nosso modo de encarar o mundo e nossas atitudes, que são mapas mentais, de alguma forma defeituosos.
No universo nada é isolado, tudo existe em forma de sistema, dividido em partes e fazendo parte de um sistema maior. Cada nação é um sistema com seus subsistemas e juntas formam o sistema global representado pela ONU. Na formação sistêmica o que acontece em uma das partes, de alguma forma repercute nas outras. A pandemia Covid19, que começou na China logo chegou aqui, com os efeitos que conhecemos. A guerra da Ucrânia vem abalando todas as nações. A morte da rainha Elizabeth II comoveu o mundo todo.
Convencidas de que sabem o que devem fazer, devido às suas convicções, as pessoas se fecham, não gostam de serem contrariadas e nem procuram pensar em algo diferente. Essa atitude prejudica a tomada de boa decisão e o raciocínio sistêmico é o recurso a ser adotado. No caso do voto a melhor decisão será aquela cujo raciocínio leve em conta as possíveis consequências para os municípios, os estados e o país inteiro em termos de melhoria das condições de vida de toda a população, em todos os aspectos. Exige responsabilidade e dá trabalho, mas é melhor do que decidir por impulso ou por simples admiração pelo candidato ou aversão pelo adversário. Como somos um subsistema do sistema global e o que acontece aqui repercute lá fora, isso também deve fazer parte do raciocínio que pode levar a uma boa decisão. Yuval Harari, autor de "Homo Sapiens", em artigo escreveu: "O gênero humano enfrenta hoje três problemas que não dão a mínima para as fronteiras nacionais e só podem ser resolvidos mediante cooperação global. Eles são: guerra nuclear, mudanças climáticas, disrupção tecnológica" e acrescentamos - pandemias, após a Covid 19.
O modelo mental tem grande influência nas decisões importantes, levando, muitas vezes, à tomada de decisões que depois entram em choque com o que a pessoa gostaria de ter feito se tivesse usado o raciocínio sistêmico, informando-se melhor sobre os candidatos e estando mais aberta às ideias contrárias.
O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.