Articulistas

Eleição 2022: a escolha dos melhores

José Marta Filho
| Tempo de leitura: 3 min

No próximo dia 2 teremos eleições no Brasil. É uma ótima oportunidade para exercermos a cidadania e indicarmos os melhores políticos que nos representarão nos próximos anos. Política é a arte de negociação para compatibilizar interesses. Significa "cidade" e "tikós", que se refere ao "bem comum". A política nasceu na Grécia Antiga, quando se percebeu a necessidade da criação de regras de funcionamento e de organização das cidades gregas (polis). O primeiro registro deste tipo de organização política aconteceu na cidade de Atenas e esse sistema ficou conhecido como "democracia ateniense". Cada Partido Brasileiro possui um conjunto de regras ou normas e a forma de relacionamento entre pessoas para atingir um objetivo em comum. Assim como nas empresas, a política é exercida pelas suas regras implícitas definidas pela sua visão, missão, valores e compromissos com as pessoas.

Os partidos políticos representam um determinado tipo de pensamento sobre valores políticos. A existência deles é fundamental como forma de acesso aos cargos públicos nas eleições, para representar suas ideias durante a ocupação de mandatos políticos. Também garantem a representatividade de diferentes ideias dentro de um sistema político democrático. Nos cabe respeitar aqueles que pensam de maneira diferente da nossa.

Para Aristóteles, somos animais políticos, ou seja, vivemos em sociedade e organizamos as formas para essa convivência. Para ele, a cidade é anterior aos indivíduos. Ele afirma que aquele que resolve viver fora da sociedade, nega a sua própria natureza e, por isso, é superior ou inferior aos seres humanos, é um Deus ou uma fera. Platão é mais objetivo e diz que a política tem a função de corrigir a injustiça; de tornar justo aquilo que é injusto. Para ambos a ética e a política são as ciências por excelência. A primeira (a ética) é a doutrina moral do indivíduo e a segunda (a política) é a doutrina moral da sociedade.

A nossa escolha no próximo domingo possui muitas opções. Platão já dizia que todos os homens se julgam capacitados para exercer a política. Mas isso é um grande equívoco, pois, a arte da política é para poucos. Somente alguns estão preparados para administrar em benefício de todos com moderação, coragem, sabedoria e justiça. E, mais importante: sem paixão (doentia) pela política pois essa divide, separa e até mata pessoas. Nelson Rodrigues, o nosso maior dramaturgo, afirmou: "nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem. A política exerce um estranho poder de cretinização, mesmo sobre as melhores inteligências".

Essa paixão irracional pela política é carregada de raiva, ódio, ciúme, desejo em torno dos mais arcaicos sentimentos que extrapolam os limites de uma vida compartilhada. Um exemplo disso é o das fake news, o da relação entre a verdade e a mentira. Uma fake news não é apenas uma fala mentirosa, mas uma afirmação que toca o nervo mais sensível da política, que inflama e provoca um comportamento cretino.

O momento exige, acima de tudo, prudência para escolhermos nossos melhores representantes. E mais: após as eleições que a paixão cretina não nos separe e faça amigos e irmãos se tornarem inimigos para sempre. Ao respeitarmos os que pensam diferente de nós estaremos construindo uma sociedade justa e sem paixão destrutiva.

O autor é diretor é diretor executivo do Instituto Marta Filho Engenharia e Avaliações (IMFea) Professor Doutor pela Unesp.

Comentários

Comentários