Geral

Maioria dos eleitores escolhe seus deputados às vésperas das eleições

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Até esta semana, véspera das eleições gerais de amanhã, a maioria dos eleitores ainda não havia decidido em quem votar neste domingo (2) para deputado estadual e federal. Ao JC, Kleber Santos, bauruense especialista em marketing político e comunicação eleitoral, faz avaliação deste cenário com base em pesquisas, principalmente na mais recente delas, divulgada pelo Instituto Datafolha. Em contrapartida, cerca de 85% dos eleitores já definiram o candidato para a Presidência da República.

O pleito de 2022 ocorrerá entre 8h e 17h (horário de Brasília) e a cobertura em tempo real será feita nas plataformas digitais do JCNET (portal www.jcnet.com.br, Youtube, Facebook e Instagram), inclusive com vídeos ao vivo em colégios eleitorais e a marcha da apuração, a partir das 17h, até os números finais.

Segundo Kleber Santos, que também é analista do Programa Café com Política, parceria do JC e da 96FM, o levantamento aponta que as pessoas que ainda não tinham candidato para a Câmara dos Deputados até esta semana eram 69%, enquanto 70% diziam não ter decidido o seu representante na Assembleia Legislativa do Estado. Esse recorte é para a faixa etária acima dos 25 anos. A taxa de indecisos era maior entre os mais jovens, de 16 a 24 anos (77%), entre eleitores com ensino fundamental (74%) e na região Sul (75%).

Entre os que têm candidato a deputado federal (31%), a pesquisa indica que 14% dos eleitores escolheram votar em um candidato do mesmo partido ou da mesma coligação do candidato em que elas irão votar para presidente.

A pesquisa com esses percentuais ouviu 5.926 pessoas em 300 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos. Ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

ANÁLISE

Kleber Santos acredita que é grande a subestimação da importância destes cargos na hora do pleito. "É comum ouvir as pessoas dizendo que o papel do parlamentar é votar datas festivas e moções de aplausos. Porém, isso é um equívoco porque os deputados e senadores ditam os rumos do País. Se não houver aprovação do Congresso Nacional, boa parte das iniciativas do presidente não se torna realidade. Interdependência idêntica existe entre governadores e deputados estaduais", comenta.

O analista recorda que um estudo realizado entre 1988 e 2017 apurou que os parlamentares foram autores de 75% das 99 emendas constitucionais realizadas no período, mudando a estrutura administrativa a projetos sociais.

Outro detalhe, segundo Kleber Santos, é que mesmo as propostas de iniciativa do Executivo podem ser alteradas pelos parlamentares. Portanto, não adianta nada escolher "bem" um determinado(a) presidente e escolher "mal" o parlamentar. "São cargos responsáveis por legislar e fiscalizar o Executivo", destaca.

POLARIZAÇÃO

Kleber Santos frisa que a atual polarização presidencial, entre Lula e Bolsonaro, interfere na escolha dos demais cargos do pleito deste domingo. "Enquanto a maioria não sabia, até esta semana, em quem votar para deputados e senador, 85% já escolheram sua opção para presidente. Isso é um reflexo da polarização que domina a mídia tradicional e as discussões nas redes sociais", pontua.

Outro fato relevante, segundo o especialista, é que os partidos destinam os recursos financeiros predominantemente para as campanhas majoritárias, sobrando pouco para as candidaturas proporcionais mostrarem relevância. "A falta de conhecimento acerca dos cargos exercidos pelos senadores e deputados faz com que os eleitores não se preocupem em quem vão votar. Qual é o peso e a consequência disso para o Brasil, a longo prazo?", questiona.

INDECISÃO

Kleber Santos opina ainda que a indecisão de última hora pode beneficiar os "políticos de carreira" e afetar diretamente a economia, a justiça social, a cultura, a educação, a saúde e a transformação digital. "O desinteresse e a falta de conhecimento da história e dos objetivos de quem está recebendo o voto também são riscos para a democracia".

JUVENTUDE

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), houve uma queda de 40% da participação dos jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, nas eleições de 2018 em relação a 2016. "Os jovens são inquietos, questionadores, curiosos e ousados. Que usem essa vitalidade na política também, ampliando o debate para todos os cargos em disputa. Façam isso indagando o que as candidaturas defendem e representam, investiguem a trajetória dos que buscam a reeleição, fiscalizem os mandatos em andamento por meio dos mecanismos de transparência, divulguem o que não é mostrado, formem opinião e influenciem o voto consciente", finaliza Kleber Santos.

Comentários

Comentários