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O político e seu partido

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

O ego é a voz dentro de nós que ativa o julgamento, o controle, a raiva, o orgulho e até o ódio. É uma pena que a maior parte dos partidos políticos faça vir à tona estes aspectos nas pessoas, em vez de enaltecer as virtudes da tolerância, da dignidade humana, do cuidado e da atenção para com os outros que, idealmente, nossos políticos deveriam ter como aspiração ou embutidas em suas propostas de trabalho. Nossas necessidades hoje são maiores do que a oferta de esperança ou de mudança de um partido político.

Todos nós somos imperfeitos, estamos todos aqui para cometer erros, esse é um aspecto do nosso destino do qual não podemos escapar e os verdadeiros líderes são aqueles que conhecem suas limitações e trabalham com elas. Agem conforme pregam, lideram por meio do exemplo e inspiram as pessoas a agirem por si mesmas. Um líder político deve ser julgado pelo que ele não tem - egoísmo, arrogância e oportunismo. Um verdadeiro líder encara seu governo como um serviço altruísta com vistas a um propósito superior, porque como dizem os sábios: governar não é ter poder, dominância ou se locupletar; é servidão. Isso não significa que um líder seja fraco; ele extrai força de sua dedicação a um propósito que é maior do que ele mesmo.

Na verdade, um político, um partido ou um sistema de governo nunca fará tudo, nem o suficiente. A mudança precisa vir de cada um de nós individualmente porque nos foi dada a dádiva do livre-arbítrio para que, ao surgir um desafio ou uma dificuldade, possamos reconhecê-los como oportunidades de crescimento e entendê-los como um chamado para nos despertar para a espiritualidade. Um verdadeiro líder político não quer nada mais do que dar dignidade às pessoas, transmitir as pessoas uma convocação para despertá-las e fazer com que sejam independentes e por consequência, tornem seu país independente e respeitado.

Talvez o Tibete tenha sido um dos modelos ideais de um sistema político sócio espiritual antes dos chineses assumirem o poder e substituírem a fotografia do Dalai Lama pela de Mao. Muitos vultos da história americana, inclusive Benjamin Franklin, George Washington, Thomas Jefferson e John Hancock eram membros da Maçonaria. O princípio mais básico da Maçonaria é espiritualista e se baseia em colocar as necessidades dos outros antes das próprias. Washington fez seu segundo juramento como presidente dos Estados Unidos envergando os paramentos completos da Maçonaria e uma pintura dele com essa vestimenta ainda hoje é exibida na biblioteca do congresso. A verdadeira mensagem e dádiva da espiritualidade é o que todo político deveria propalar.

Muitas pessoas acham que precisam escolher um lado e que sua fidelidade deve permanecer constante - não importando a pessoa, seu passado, seus desmandos, a corrupção, o estilo de vida hedonista propalado pelo partido que deixariam a sociedade sem uma bússola moral. Sem bússola moral é o ego que dá justificativas para alguns fazerem o que for preciso para prevalecer sobre aqueles percebidos como opositores.

O ego sempre encontra formas de nos fazer ir às vias de fato ou à guerra - até contra nós mesmos, como se já não tivéssemos problemas a granel no mundo: mudanças climáticas globais, colapsos econômicos, materialismo exacerbado aliado a forte sentimento de posse e uma educação que reforça dogmas, ideologias e despreza os valores sem os quais não pode haver civilização. Não haverá civilização se a evolução não nos tornar pessoas melhores, mais amáveis, mais sensíveis à beleza e capazes de fazer e distribuir a verdadeira justiça.

O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica Faculdade de Engenharia da Unesp – Bauru.

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