Tribuna do Leitor

Pior cego é o que não quer ver

Diomara Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A palavra inclusão é pequena, porém, representa centenas de crianças, jovens e idosos que fazem parte do público-alvo da Educação Especial (Ensino Especializado). Fotos nas redes sociais, indignação diante de uma situação de preconceito, frases bem feitas... é uma piada de mal gosto, representa o descaso diante dos desafios que os alunos e professores da educação especial enfrentam todos os dias.

O acesso às escolas e entidades que oferecem atendimento especializado tem calçadas intransitáveis, ruas sem sinalização adequada. Escolas e/ou entidades que ofertam serviço especializado estão localizadas na maioria dos casos longe de suas residências ou em local de difícil acesso. O transporte público: infelizmente temos casos em que  ônibus estão com cinto de segurança quebrado ou elevador para os cadeirantes. Ponto de ônibus: o local para os cadeirantes aguardar até hora do embarque não possui boa visualização, pois as placas de propagandas escondem a visualização do letreiro do ônibus, o que leva estes usuários a ficar fora da proteção (cobertura), ficando expostos ao sol e chuva. Salas de aulas com espações físicos que não atendem a todas as especificidades dos alunos.

São inúmeras os desafios e problemas que nós enfrentamos todos os dias. São situações diárias que causam desconforto e insegurança. De quem é a culpa? Quem deveria levantar a nossa bandeira e apoiar a nossa luta pela inclusão parece que não vê! Ou não quer ver, né!? Estamos no esquecimento intencional, seja pela sociedade onde muitos fazem de conta que se preocupa ou até mesmo pelas autoridades competentes que muito pouco fazem para mudar está triste realidade, quem tem a caneta nas mãos, o poder para fiscalizar, cobrar e punir.

Está na hora de saírem do papel as promessas os discursos inflamáveis, porém, em primeiro lugar temos que remover estas barreiras a fim de apropriarmos as conquistas do sonho em busca do caminho para uma das prioridades necessárias que fazem parte da condição de inclusão eficiente que realmente atenda a todos sem distinção de cor, raça e idade.

E os professores especialistas em educação especial? Tal invisibilidade que acomete os alunos público-alvo da Educação Especial também acomete os professores, pois estamos em um período de  pós-pandemia e, mais do que nunca, a educação especial, assim como no ensino regular, tivemos de nos reinventarmos e nos adequarmos à nova realidade. Passamos por uma transformação, estamos bem distantes de alcançar o modelo que realmente possa englobar todas as habilidades do currículo de forma plena para atender as necessidades e as competências emocionais e satisfatória para cada faixa etária dos alunos ao qual a sociedade cobra de todos e não faz a sua parte como deveria para uma inclusão em sua totalidade, em suas especificidades dentro e fora da escola e em todos os lugares.

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