A interpretação dos números pode ser desafiante. Imaginemos uma casa no valor de R$ 7 milhões, aproximadamente. Em alguns locais pode ser encontrada essa super mansão, presumindo-se na qualidade luxuosa de vida ali existente. Um iate de 7 milhões, uma aquisição que só pode ser desfrutada estritamente nas águas, dificilmente servirá como residência permanente, também existe. Aviões particulares com esses valores também têm seletos compradores com finalidades determinadas.
Alguns carros podem atingir esse valor, que dificilmente veremos rodando rotineiramente por aqui. Pergunta: onde quero chegar? Fui examinador de um Exame de Qualificação de candidato do curso de pós-graduação para prosseguir seu doutoramento, trabalho orientado pela professora doutora Silvia Helena Sales Peres, na disciplina de Saúde Coletiva da FOB-USP, onde, graças à informática, o aluno Adérito M. P. E. dos Anjos apresentou diretamente da África um dado que muito me impressionou.
Seu propósito é estudar crianças e adolescentes africanos, com relação às doenças bucais. Citou que África do Sul é o país com o maior de número pessoas que vivem com HIV/SIDA no mundo, com uma prevalência 7,1 milhões de pessoas vivendo com HIV. (fonte: UNAIDS, 2021).
Também aprendi que "De acordo com Unaids, em 2020 foram 37,7 milhões de pessoas vivendo com HIV, desses indivíduos acometidos, cerca de 10,2 milhões não estavam em tratamento". A mesma fonte revelou que no mesmo ano foram notificadas 1,5 milhão de novas infecções por HIV e 680.000 mortes relacionadas ao HIV/SIDA. (Unaids, 2021)". Fazendo uma comparação pelo Google, a aparência no desenho dos Atlas de Geografia, entre a África e o Brasil, embora com semelhanças, cabem 3,56 Brasis dentro daquele país. Enquanto temos por aqui os estados como fronteiras, na África são 54 países. A África do Sul ainda é desenvolvida em comparação a grande maioria daqueles que sofrem intensamente mesmos nas necessidades humanas mais básicas. As notícias atuais estão focadas principalmente para a Covid, com poucas informações sobre as outras doenças graves. Como propiciar acesso a medicamentos Retro-Virais, a esses milhões de condenados às consequências evolutivas dessa grave doença?
Segundo consulta ao Google, "atualmente no Brasil existem 920 mil pessoas vivendo com Aids e 77% fazem o tratamento com remédios antivirais e 94% não transmitem mais a doença". "Em 2021, a média de crianças brasileiras oscilou entre 110 mil a 230 mil".
Para mim, que esses números já são impressionantes. Se multiplicarmos 920 mil brasileiros pelo número de vezes que cabemos no território africano (3,56) teremos aproximadamente 3.725.200 e naquele país o número é de 37,7 milhões ou seja 10 vezes mais. Por que estou refletindo?
Existe um provérbio antigo: "A galinha do vizinho é sempre melhor que a nossa". Será verdade ou temos um olhar seletivo? O objetivo principal desse doutorando é o de contribuir para as autoridades responsáveis abordarem propostas de enfrentamento.
Mais investimentos nas áreas de educação, saúde, infraestruturas, combate a corrupção e desvios de verbas, a mudança no foco dos interesses particulares para os sociais, podem propiciar melhores e esperançosas qualidade de vida. E se tivéssemos nascido num local com essas necessidades? Esse foco dado somente à Aids, é um pequeno número frente às outras milhares de prioridades.
Em aula, peço para o aluno destacar qual o tijolo principal da parede daquela sala. Todos são importantes naquela construção, mesmo sendo um pequeno tijolo.
Pensemos nisso.
O autor é colaborador de Opinião.