Política

Com boa votação, mas não eleitos, candidatos falam de futuro político

André Fleury Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Ainda que bem distantes dos votos necessários para conseguir um mandato, os resultados dos candidatos a deputado por Bauru que figuram entre os mais votados no aspecto geral já habilitam seus respectivos nomes a disputas futuras.

Nos bastidores, a análise entre os partidos é de que o pleito do último domingo (2) serviu como um teste de força para aferir o apoio popular que eles podem esperar para 2024 ou 2026.

Ao mesmo tempo, avaliam as legendas, a disputa foi também um exame dos erros e acertos dos candidatos, que vão focar a partir de agora nos pontos de campanha considerados frágeis a partir dos resultados das urnas.

Como noticiou o JC, os vereadores Coronel Meira (União Brasil), Estela Almagro (PT) e Markinho Souza (PSDB), candidatos a deputado estadual, avaliam que a pulverização dos votos pela grande quantidade de nomes lançados pelo município impediu uma possível vitória. O médico Dr. Raul (Podemos), que também disputou, teve a mesma percepção.

PRIMEIRA VIAGEM

Terceira mais votada entre os que disputaram vaga à Assembleia Legislativa de São Paulo por Bauru, com 23.403 votos, a candidata Lúcia Rosim (PSC), mãe da prefeita Suéllen, vê com otimismo seu resultado final. "Ainda mais para alguém que, como eu, está ingressando na política", disse ela ao JC.

Apesar do capital político no qual apostava - especialmente o de sua filha, Suéllen -, Lúcia acabou em terceiro lugar na votação para deputado estadual no aspecto local, com 13.162 votos em Bauru. Mas ficou atrás de gente experiente: Dr. Raul e Coronel Meira, figuras carimbadas da política municipal, enquanto Lúcia acaba de entrar na vida pública.

Rosim diz ter se surpreendido com os resultados na região, praticamente a metade dos votos que obteve a nível geral - sem contar Bauru, ela obteve 10.241 votos no restante do Estado. "Meu foco agora se volta para Bauru, onde sigo ajudando o governo. E pretendo continuar participando da disputa política", sinaliza.

RECURSOS

Ex-prefeito de Boraceia (41 quilômetros de Bauru) e quarto mais votado entre os candidatos a deputado estadual por Bauru, com 19.952 votos no Estado, o professor Marcos Bilancieri (Republicanos) admite que os números que obteve nas urnas no município pelo qual concorreu foi abaixo do esperado - 1.652 votos. "Bauru foi a única das metas de campanha que não atingimos", afirma.

Para ele, a estimativa de votos em Bauru pode ter sido superestimada por sua chapa, sobretudo pela falta de estrutura que percebeu ter ao longo da campanha. "Precisávamos de mais recursos, financeiros em primeiro lugar, mas para isso dependemos do partido. Buscaremos nas próximas disputas".

DESGASTE

O vice-prefeito de Bauru, Orlando Costa Dias (PSC), que se candidatou a deputado federal, diz que sua votação foi abaixo do esperado no município, onde obteve 12 mil dos 16 mil votos que recebeu ao todo. Ele acredita que a CP instaurada na Câmara contra a prefeita pode ter afastado eleitores em potencial. "Querendo ou não, isso repercute na gente".

A verba reduzida também pode ter impactado nos resultados, afirma Orlando. Mas o principal foi a falta de tempo. "Não parei de trabalhar durante o período da tarde durante a disputa, então, não consegui andar pelo Estado e por Bauru da maneira como gostaria", diz. Em eleições futuras, ele prevê dedicação integral.

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