Regional

Falta de bênção a cinzas de cão gera polêmica em Agudos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - No Dia de São Francisco de Assis, popularmente conhecido como santo protetor dos animais, um morador de Agudos não conseguiu benzer a urna que armazena as cinzas do cão labrador Logan, seu companheiro por 15 anos, cremado no mesmo dia. Ele alega que o frei da Paróquia São Paulo Apóstolo recusou-se a dar a benção solicitada por ele. O pároco da igreja, por sua vez, afirma que não houve uma recusa e diz que o religioso estava se preparando para uma celebração, mas admite que não há previsão para bênçãos a animais mortos.

O jornalista Rinaldo Andrucioli revela que seu animal de estimação morreu no último dia 29. Como forma de lembrança, na última terça-feira (4), ele optou por cremar o corpo do cão em um crematório para animais da cidade. No mesmo dia, levou a urna com as cinzas do companheiro para ser benzida durante a missa de devoção a Santo Antônio e a São Francisco de Assis na Igreja Matriz, no Centro de Agudos. "É tradição da Igreja Católica fazer a bênção dos animais", diz.

De acordo com ele, o frei que faria a celebração não aceitou dar a bênção e pediu a ele que procurasse o pároco da igreja. "Qual foi minha surpresa quando o vigário paroquial da Igreja Matriz São Paulo de Agudos, frei Carlos, se negou a fazer a oração. Se pode fazer oração a animais vivos, árvores, prédios, porque não para cinzas de um ente querido da minha família, mesmo sendo um pet?", questiona. "Nem fiquei na missa. Fui embora como repúdio pelo ato do religioso".

Andrucioli conta que encaminhou à Província Franciscana em São Paulo nota de repúdio pelo fato. "Foram 15 anos de uma amizade verdadeira, companheirismo, fidelidade, amor verdadeiro. Dei a ele uma despedida digna de um grande amigo", declara. "É lamentável, no dia do santo padroeiro dos animais, ter ocorrido isso. Do meu ponto de vista, foge do franciscanismo essa atitude. O santo tudo abençoava. Como devoto, fico magoado com a atitude do vigário paroquial".

O pároco da Igreja Matriz, frei Silvio Trindade, nega que o frei Carlos tenha se recusado a dar a bênção às cinzas do animal. "Quando ele (jornalista) chegou com as cinzas na Matriz, o frei já estava entrando para rezar a missa. Ele já estava paramentado. Teve esse desencontro. O frei foi pego de surpresa porque não temos um ritual específico. Não está previsto ritual específico para esse tipo de situação. Foi uma coisa inusitada", afirma. "Não foi má-vontade. Foi o contexto de celebração. Estava um pouco corrido nesse dia".

Trindade explica que, tradicionalmente, como parte das homenagens a São Francisco de Assis, a bênção ocorre para animais em vida. "Inclusive, nós fizemos, no sábado, a bênção dos animais na comunidade, muitas pessoas levaram seus animais, mas animais vivos", pontua. "A igreja não tem nenhum ritual que prevê exéquias (cerimônias prestadas aos mortos) de animais. Por isso que a gente foi surpreendido". No caso de Andrucioli, segundo o pároco, se a celebração religiosa não estivesse prestes a ter início, caberia oração conjunta com o fiel. "A gente poderia fazer uma oração, inclusive por causa do afeto da pessoa pelo animal. Um Pai Nosso, por exemplo, juntos, mas voltado, sobretudo, para a pessoa que está passando pela perda. É um animal, mas tem essa questão afetiva", diz. 

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