Polícia

Polícia Civil desmantela bando que enganou mais de 20 em Bauru e região

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma investigação da Polícia Civil de Bauru, por meio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), sobre um golpe que fez, pelo menos, 21 vítimas em Bauru e região, culminou com a prisão de um bando no Mato Grosso, nesta quinta-feira (6). Ao todo, oito pessoas foram detidas (os nomes não foram divulgados pela corporação) acusadas de um estelionato que envolvia atravessadores ocultos no comércio online de veículos populares. As prisões ocorreram durante a Operação Ikuia (leia mais ao lado), deflagrada em parceria com a Polícia Civil de Mato Grosso, através da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE).

Segundo o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da Deic de Bauru, o bando possuía um esquema milionário e fez vítimas em Bauru, Piratininga, Lençóis Paulista, Macatuba e Marília. A polícia investiga ainda a ligação desse grupo com uma facção criminosa atuante no Mato Grosso, que até receberia porcentagens pela concretização dos golpes.

As investigações em Bauru tiveram início em novembro de 2021, quando a Polícia Civil identificou coincidências nos históricos de alguns boletins de ocorrência (BOs) narrados por vítimas de estelionatos. Os casos envolviam a figura de atravessadores ocultos no comércio online de carros populares ou de motos usados, e tinha como alvo negócios abaixo de R$ 20 mil.

Chamou a atenção dos policiais o fato de que as contas bancárias dos supostos estelionatários relatadas em BO eram as mesmas em quase todos os registros. Os celulares utilizados para o contato entre os golpistas e as vítimas também não variavam e, apesar de os equipamentos terem DDD 14, a polícia descobriu que as ligações eram feitas de Cuiabá (MT), o que levou a Deic a acionar equipes da DRE, chefiadas pela delegada Juliana Chiquito Palhares.

COMO FUNCIONAVA

O golpe funcionava da seguinte forma: durante as negociações para comercialização de um bem em plataformas digitais, o estelionatário enganava quem estava vendendo e também quem estava comprando. Por meio de argumentos diferentes para cada vítima e sem que uma entrasse em detalhes com a outra sobre o pagamento, o golpista conseguia ficar com o dinheiro.

Primeiramente, o criminoso se passava por interessado em um veículo anunciado em plataforma online. E, após muita "lábia" com o vendedor, o convencia a retirar o anúncio do ar sob a promessa de compra. Durante o diálogo, o golpista se apoderava de fotos do bem, documentos e dados do vendedor.

Em posse dessas informações, ele criava um perfil na plataforma e postava um novo anúncio daquele mesmo veículo, porém, com um preço muito abaixo do mercado, virando uma espécie de atravessador do negócio, mas sem conhecimento do real vendedor.

Ao ser procurado por um interessado, o golpista convencia essa segunda vítima a realizar o depósito bancário em uma conta indicada por ele como forma de garantir o "bom negócio".

Ousados, os criminosos até colocavam vendedor e comprador reais em contato, mas, antes, inventavam histórias diferentes para ambos, insinuando para um que o outro lhe representava na transação e vice-versa, e pedindo para que o comprador não discutisse sobre valor no local para evitar ruídos na negociação.

"Há casos em que o recibo chegou a ser assinado pelo vendedor e o carro até levado pelo comprador, em razão da lábia desse atravessador. Muitas vezes, a descoberta do golpe ocorria apenas em cartório, na hora da transferência do veículo", comenta Cledson do Nascimento, apontando que, durante as investigações, os policiais civis conseguiram evitar que mais gente caísse no golpe em Bauru.

PRISÕES

A Operação Ikuia cumpriu, ontem, 19 ordens judiciais, entre mandados de prisão e de busca e apreensão, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Barão de Melgaço. Oito pessoas foram presas, algumas de uma mesma família. Um homem continua foragido.

"A profissão dele (foragido) consta como vendedor de salgados em escolas, mas a renda é incompatível. Ele vive uma vida confortável e de muitas viagens", comenta o delegado.

Entre os itens apreendidos, estão máquinas de cartão de crédito, R$ 17 mil em dinheiro, joias e quatro carros: um Fiat/Argo, um VW/Nivus, um VW/Golf e um Toyota/Corolla.

O delegado explica que a investigação demandou tempo em razão da complexidade dos crimes, que exigiram a quebra de vários sigilos bancários. "É preciso que as pessoas fiquem atentas e invistam o máximo em prevenção, realizando negócios apenas 'tête-à-tête' e desconfiando sempre de preços muito abaixo do valor de mercado. Antes de depósitos em conta de terceiros, exija a comprovação de relação jurídica com o vendedor", finaliza Cledson do Nascimento.

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