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A manchete do JC

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

A manchete jornalística é o recurso utilizado para chamar a atenção sobre a importância do assunto que está sendo publicado. Foi assim que o Jornal da Cidade, independentemente de comentários individuais, procurou chamar a atenção dos bauruenses com uma manchete de cinco colunas, na primeira página do jornal de domingo, sobre um problema recorrente na história de Bauru - a falta de lideranças nas eleições.

Em matéria, bem preparada, ouviu a opinião de cinco líderes classistas e de um especialista em comunicação eleitoral. Essa matéria nos remeteu ao que já tínhamos feito em relação ao assunto. Em 18 de abril de 1968, no antigo Correio da Noroeste, publicamos "Cidade sem liderança", onde justificamos dizendo: "Politicamente Bauru é uma cidade sem expressão e sem força.

Nas épocas de eleição, por falta de líderes que possam aglutinar as várias tendências do eleitorado, os seus milhares de votos são dispersos como folhetos de propaganda atirados de um avião".

O então prefeito, Dr. Nuno de Assis, que talvez pudesse ficar melindrado, telefonou-nos cumprimentando. Dos vereadores e partidos políticos não tivemos nenhuma reação.

Os líderes classistas ouvidos pelo JC remetem o assunto aos políticos e repetem o reclamo de que cabe aos partidos, pela sua representação local, aglutinarem-se em defesas dos interesses de Bauru. Sobre isso, em sete de abril de 2008, no Jornal da Cidade publicamos "Cidade sem liderança?", que iniciamos assim: "É frequente dizer-se que Bauru não tem liderança".

De fato, não tem liderança política, alguém com representatividade e capaz de aglutinar as chamadas 'forças vivas' da sociedade em torno dos interesses do município.

Esse alguém não existe, mas existem muitas lideranças naturais, que apenas estão, cada uma, dedicada ao seu campo de atuação, restringindo sua influência somente nos assuntos corporativos. Se elas se unissem e passassem a cuidar, também, dos interesses comuns do município, com certeza supririam esse vácuo e muitos dos problemas de Bauru poderiam ser resolvidos ou amenizados.

No primeiro comentário também concitamos as representações partidárias locais a se unirem em benefício de Bauru, mas no segundo oferecemos uma sugestão - a união dessas lideranças naturais numa espécie de instituto. "E quais são essas lideranças? Num primeiro plano estão os presidentes de entidades locais: associações, as mais diversas, e sindicatos.

Num plano mais amplo estão os representantes regionais dessas entidades, no nível estadual ou federal. São conselheiros ou delegados e até presidentes de federações.

Por exemplo: Bauru possui conselheiro na Fiesp; os Contabilistas possuem um representante no Conselho Regional de Contabilidade; a Acib na Federação das Associações Comerciais; o Sindicato do Comércio Varejista, na Federação do Comércio de São Paulo; a OAB-Bauru, na OAB-SP; os Economistas, no Conselho Regional de Economia; a Associação Paulista de Medicina tem representante de Bauru; o Sindicato Rural de Bauru na Federação da Agricultura.

Os sindicatos, normalmente têm os seus representantes regionais." "Imaginemos todos eles reunidos, formando uma espécie de fórum para discutir os problemas de Bauru e formular e defender propostas de solução junto aos órgãos do governo e de empresas ou instituições ligadas ao assunto!

Não seria fiscalizador, que é função da Câmara e do Ministério Público. Não seria de estudos e planejamento, que é função de órgãos técnicos. "Seria uma liderança coletiva, expressando a vontade da população organizada de Bauru".

Pela regra geral a carreira política começa como vereador, mas as Câmaras Municipais, com raras exceções, não têm produzido líderes. Não faltam vereadores bem intencionados e com boa vontade para desenvolver-se, mas o ambiente é muito limitado para a aquisição de conhecimento e vivência de situações que envolvem assuntos os mais diversos.

Já os líderes classistas, em contato regular com outros de outras cidades passam a conhecer problemas que são comuns e soluções que foram encontradas. Um instituto formado por eles pode ser uma fonte de futuras lideranças políticas.

Não se trata de órgão público, mas de uma associação multiclassista, com visão multidisciplinar que pode ser consultada pela Câmara ou Prefeitura para opinar sobre problemas e projetos importantes para a cidade. Fica aqui a sugestão, quem sabe alguns desses líderes se interessem em levá-la adiante.

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.

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