Com a chegada da primavera, muitos animais silvestres tendem a ficar mais ativos, por ser época de reprodução, em que eles buscam abrigos, alimentação e acabam entrando, com mais frequência, em empresas, residências e condomínios. Conforme a 2.ª Companhia de Polícia Militar Ambiental de Bauru, a entrega de espécies como pássaros e pedidos de remoção de saguis, gambás, teiús, tamanduás-mirins e ouriços, entre outros, chegam a triplicar neste período. Inclusive, nesta terça-feira (11), um filhote de onça-parda foi resgatado em Reginópolis e encaminhado ao Zoológico de Bauru (leia mais clicando aqui ou na página 13).
Se, em outras estações do ano, são registradas, no máximo, duas ocorrências por dia na região, na primavera o número aumenta para cinco a sete solicitações diárias. No mês, a alta é de 60 pedidos para uma média que varia de 150 a até 210 requisições, considerando uma área abrangida por 16 municípios.
De acordo com a Polícia Ambiental, a situação mais comum é de entrega de filhotes de pássaros silvestres em unidades da corporação, já que, nesta época, estes animais estão aprendendo a voar e, portanto, é comum encontrá-los no chão ou em galhos baixos. "Na maioria das vezes, estão sendo observados e alimentados por seus pais. Porém, pessoas com boas intenções acabam recolhendo essas aves de forma equivocada, deixando-as vulneráveis e, por vezes, ocasionando sua morte", alerta, em nota.
Em postagem recente no Facebook, o Zoológico Municipal lembrou que muitas espécies costumam se afastar momentaneamente dos filhotes para buscar alimento, posteriormente retornando aos cuidados com a prole. "Assim, antes de qualquer interferência, é muito importante garantir que o animal foi realmente abandonado pelos pais, se está ferido ou sob algum risco, pois o melhor local para um filhote se desenvolver é junto de seus familiares", destacou a instituição.
E a orientação sobre a necessidade de observar os animais por um longo período também vale para outras espécies.
Se o bicho estiver machucado e realmente precisar de cuidados especiais, a Polícia Ambiental ou outros órgãos competentes, como o Corpo de Bombeiros, podem ser acionados para realizar a remoção.
ALERTAS
A não ser que haja uma situação de perigo, deve-se evitar o manuseio de animais silvestres, algo que pode gerar estresse e diminuir suas chances de reabilitação. Vale destacar que fornecer comida ou água de forma inadequada, sem técnica específica, também pode ser fatal a estes animais.
Comandante interina da 2.ª Companhia de Polícia Ambiental, a tenente Cristiane Martinez Damiati enfatiza que o encaminhamento destes bichos ao Zoológico ou a centros de recuperação nem sempre é a melhor solução para eles. "Se não estiverem feridos, assim que estiverem seguros e aptos, seguirão o rumo natural da vida. Não devemos esquecer que eles possuem hábitos selvagens e devem prosseguir com seu ciclo de vida, sem nenhuma interferência humana", frisa.
A Polícia Ambiental reforça que a caça e captura destes animais são crimes ambientais, com responsabilização criminal e administrativa (multa). Já a remoção de espécies silvestres pode ser solicitada por meio do telefone (14) 3103-0150, da Polícia Ambiental, cuja sede em Bauru fica na avenida Rodrigues Alves, 38-138. Vale reforçar que somente os órgãos competentes podem encaminhá-las a instituições como o Zoológico, para receberem cuidados e serem devolvidas à natureza.