JUSTIÇA

Caso de hacker em Bauru tem e-mail com referência a Suéllen

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Mensagens atribuídas a tesoureiro do PSD mencionam lista de alvos e dizem que pagamentos seriam tratados com a prefeita Suéllen Rosim
Mensagens atribuídas a tesoureiro do PSD mencionam lista de alvos e dizem que pagamentos seriam tratados com a prefeita Suéllen Rosim

E-mails atribuídos a Walmir Henrique Vitorelli Braga, cunhado da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), integram uma investigação sobre suposta espionagem de adversários políticos e de um jornalista. Uma das mensagens menciona pagamentos relacionados ao hacker Patrick César da Silva Brito e afirma que Walmir conversaria com a cunhada sobre o assunto.

O conteúdo consta do material investigativo encaminhado à reportagem. A referência à prefeita, porém, não comprova que ela tenha autorizado pagamentos, contratado o hacker ou participado de atividades ilegais.

Walmir, tesoureiro do PSD em Bauru, é apontado como possível intermediário das tratativas. Segundo a investigação, a suposta espionagem teria como alvos iniciais a vereadora Estela Almagro (PT) e o jornalista Nelson Itaberá, responsável pelo site Contraponto. Ambos teriam sido monitorados sem autorização.

Lista de possíveis alvos

Em uma das mensagens atribuídas a Walmir, o remetente informa que encaminharia uma relação de pessoas a serem monitoradas, além de mencionar documentos pessoais que teriam sido obtidos por intermédio de um advogado.

Entre os nomes relacionados estão o então vice-prefeito Orlando Costa Dias e vereadores de Bauru.

O material também menciona Felipe Garcia Pimenta, policial civil que atuava na Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Araçatuba e é irmão de Walmir. Segundo os elementos apresentados, ele teria participado da intermediação de contatos.

A eventual responsabilidade de cada envolvido depende da análise das provas e da conclusão das investigações.

Investigação na Justiça Federal

O caso chegou à Justiça Federal, que determinou o encaminhamento do inquérito ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), diante da hipótese de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro.

O material encaminhado à reportagem também informa que a Polícia Federal indiciou envolvidos, mas não esclarece a situação processual atual de cada investigado.

A apuração inclui movimentações financeiras atribuídas a contas relacionadas a Patrick Brito, que teriam alcançado aproximadamente R$ 1,23 milhão. Desse total, cerca de R$ 1,06 milhão teria sido movimentado em 2022.

Os investigadores analisam a origem dos recursos e a possível relação dessas transações com as atividades investigadas.

Em depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Bauru, Patrick teria relatado que o objetivo do suposto monitoramento era obter informações privadas de integrantes do Legislativo para ampliar a influência política sobre a Câmara.

Seus advogados, Gustavo Nonato Bertoldo e Karine Nakad Chuffi, afirmaram que ele colabora com as autoridades e fornece elementos técnicos para a investigação.

Prefeita e cunhado negam envolvimento

Suéllen Rosim nega participação no suposto esquema de espionagem.

Walmir Braga reconheceu ter mantido contato com Patrick Brito, mas negou a contratação de serviços ilegais. Ele também afirmou ser alvo de perseguição política.

A investigação busca esclarecer quem teria determinado o monitoramento, a origem dos pagamentos e a eventual participação de agentes públicos.

O caso é distinto da Operação Cavalo de Troia, que apura suspeitas de irregularidades na concessão dos serviços de limpeza urbana de Bauru e resultou na prisão preventiva de Renato Purini, marido da prefeita e ex-secretário municipal de Governo.

Não há, nas informações apresentadas, demonstração de vínculo entre as duas investigações.

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