SOB APURAÇÃO

Ex-tesoureira questiona R$ 61,7 mil de APM em Birigui

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Educadora afirma ter deixado cargo dois meses antes de transferência registrada em seu nome; caso foi levado à polícia e deverá ser apurado
Educadora afirma ter deixado cargo dois meses antes de transferência registrada em seu nome; caso foi levado à polícia e deverá ser apurado

Uma movimentação bancária de R$ 61.777,59 envolvendo a conta da APM (Associação de Pais e Mestres) do CEI Profª Maria Cecília de Lima J. Maroni, no Residencial Santa Luzia, em Birigui, foi comunicada à Polícia Civil nesta quarta-feira (30).

O registro foi feito por uma educadora que ocupava a tesouraria da entidade e afirma ter deixado a função cerca de dois meses antes da transferência.

Segundo o boletim de ocorrência, a educadora formalizou sua saída da tesouraria em 26 de junho, por motivos pessoais. Ela informou que o pedido de renúncia foi protocolado e assinado pela diretora da unidade, que também exerce a presidência nata da APM.

A ex-tesoureira afirmou ter identificado uma transferência de R$ 61.777,59, datada de 26 de agosto, registrada utilizando seu nome, embora, segundo ela, já não exercesse a função na associação.

O CEI Maria Cecília é uma unidade da rede municipal de Educação Infantil de Birigui. 

Consulta pública

A educadora relatou à polícia que continuava acompanhando as prestações de contas da APM por meio do sistema de parcerias utilizado para disponibilização pública de informações.

Foi durante essa consulta que, segundo ela, encontrou o lançamento financeiro que motivou o registro da ocorrência.

A ex-tesoureira também afirmou ter tomado conhecimento de atas de reuniões realizadas após sua saída nas quais seu nome continuaria aparecendo. De acordo com o relato, os documentos registrariam sua ausência nos encontros, mas manteriam sua identificação entre os integrantes da associação.

Ela levantou a hipótese de que sua saída não tenha sido formalizada perante todas as instituições envolvidas, inclusive o banco responsável pela conta.

Acesso à conta

Ainda conforme o depoimento registrado no boletim, enquanto exercia a função de tesoureira, a educadora afirma que somente ela e a diretora da unidade tinham acesso à conta bancária da associação.

Ela disse desconhecer se sua renúncia foi comunicada à instituição financeira e quem realizou ou autorizou a transferência de R$ 61.777,59.

A origem dos recursos, o destino do dinheiro e as circunstâncias em que a operação foi registrada ainda precisam ser esclarecidos.

Busca por informações

Antes de procurar a polícia, a educadora afirmou ter ido ao CEI Maria Cecília por volta do meio-dia de quarta-feira, na tentativa de conversar com a diretora. Segundo seu relato, ela não estava na unidade naquele momento.

A ex-tesoureira também informou ter procurado o setor jurídico da Prefeitura de Birigui em busca de esclarecimentos e, posteriormente, comparecido à Diretoria de Educação Infantil para comunicar o caso.

Em nota, a Prefeitura informou que a APM é uma entidade sem fins lucrativos e que eventuais providências relacionadas ao episódio dependerão de consulta à Procuradoria Jurídica.

A Secretaria Municipal de Educação confirmou que a educadora apresentou o boletim de ocorrência e esteve na Diretoria de Educação Infantil no fim do expediente. Segundo a administração, foi solicitado que deixasse uma cópia do documento para que a situação fosse inicialmente apresentada à diretora da unidade, presidente nata da APM.

Caso anterior

O CEI Maria Cecília já havia sido objeto de questionamentos neste ano. Em julho, materiais escolares destinados à unidade foram encontrados entre itens que seriam utilizados como brindes em uma festa junina.

O episódio foi comunicado à Polícia Civil pelo vereador José Fermino (PP). Na ocasião, a Prefeitura informou que o caso havia sido encaminhado à Corregedoria Geral para apuração, com garantia do contraditório e da ampla defesa. A ocorrência também foi noticiada à época pela imprensa local.

A Câmara de Birigui também registra requerimento aprovado em 2026 solicitando informações ao Executivo sobre o CEI Maria Cecília.

Apuração

Até o momento, não há confirmação de irregularidade na transferência de R$ 61.777,59 nem identificação de quem realizou ou autorizou a operação.

A ocorrência deverá subsidiar a apuração das circunstâncias da movimentação financeira e da permanência do nome da ex-tesoureira nos registros da APM depois da renúncia.

Matéria atualizada às 17h31

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