Aviso logo de cara! Não se trata de dica do famoso filme de 2007, no qual Nicolas Cage, o conhecido e veterano ator norte-americano protagoniza personagem fictício que, depois de pactuar com Mefisto, concorda em se transformar num sobrenatural piloto a bordo de possante e fumegante moto para, com extrema violência, combater criminosos em prol da justiça.
Até que o tal Mefisto, nessa transposição do personagem da Marvel, parece ter agido com boa intenção... Sempre me lembro dele, não do Mefisto, mas do esquisito Johnny Blaze, ao observar os motoqueiros tupiniquins, especialmente os chamados “motoboys”, aqueles esforçados pilotos de motocicletas de serviços gerais e de entregas.
Trafegam pelas ruas do Brasil inteiro em alta velocidade dirigindo como fantasmas e como estivessem prontos para salvar a humanidade de iminente tragédia, quando, na verdade, estão a serviço de entregas de uma farmácia, padaria, restaurante ou apenas buscando pequenos pacotes em escritórios e no comércio. Devido ao caótico trânsito das cidades, essa tarefa, que todos conhecem pelo americanófilo nome de “delivery”, se tornou essencial. Atualmente competem com acirrada concorrência de iguais prestadores de serviço dirigindo heroicas bicicletas.
Até ai tudo bem e todos ficariam satisfeitos. Ocorre – e corre – que o problema é mais embaixo. Os motoqueiros e ciclistas, cada qual na sua, saem à louca para cumprir suas tarefas cada vez mais rapidamente, pois, dessa forma, conseguem faturar graninha extra, considerando que o contratante desses serviços paga por unidade e volume de entrega. Além de viajarem em alta velocidade, os condutores trafegam em qualquer espaço disponível ou não, na mão de direção ou fora dela, isto é, também na contramão. Desobedecem a sinalização e não respeitam os sinais luminosos dos faróis de trânsito, atravessando qualquer via como se sempre estivesse no liberado verde.
Nem todos, pude constatar, salvo pequena minoria, ou seja, menos do menos. Pilotos “civis” e mulheres costumam seguir as regras de trânsito, parando no sinal vermelho e atravessando no verde, respeitando sua vida e as de terceiros. Em Araçatuba, ainda bem, é alto o índice de obediência. Mas já na cidade de São Paulo, por exemplo, a coisa anda feia. Recentemente o CET, aquele departamento de Engenharia de Trânsito, divulgou à imprensa dramático registro de cerca de 500 mortes de motoqueiros ocorridas no curto período dos últimos seis meses. Não se limitou a isso e, nas vias mais trágicas, pendurou faixas de alerta esquecendo que os que as leem são exatamente aqueles que respeitam a sinalização.
Ao que tudo indica, tais motoqueiros acham que são invisíveis como o congênere fantasma, que, pelo que sei, jamais ninguém de verdade viu. Sentem-se impunes tanto quanto o fantasmagórico motoqueiro, que nunca tomou uma multa sequer e nem teve sua moto apreendida pela polícia de Los Angeles ou onde quer que o filme do Nicolas tenha sido locado.
Enquanto isso, imaginem então aqui...
É sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato
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