OPINIÃO

Dia de festa no Templo Budista

Por Jeremias Alves Pereira Filho | especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

Falar sobre a colônia japonesa de Araçatuba sempre foi um tema recorrente. São tantas e boas lembranças que fica difícil mesmo é escolher uma. Na última visita na cidade, poucos meses atrás, flanei, como sempre, pelas ruas da minha infância e juventude. Alguns lugares são especiais e neles retorno, observo e navego a jato para o passado remoto e lá me instalo por um momento mágico. Tal como se o tempo não existisse...

Foi assim - e sempre será - com o Templo Budista, digo Templo Hompa Hongwanji, sua denominação oficial que quase ninguém conhece. Dissesse eu por aí esse nome e passaria por local incerto e não sabido, ao menos para os distraídos leitores. Resolvi visitá-lo num fim de tarde de domingo sabendo que estaria vazio ou quase fechado, com a esperança de encontrar o grande portão semiaberto. 

E estava, para minha satisfação e surpresa ao ser recebido pelos largos sorrisos da Regina e da Teresa. Não eram os nomes japoneses de nascimento e registro dessas simpáticas senhoras, mas, ao tempo delas, era velho costume adotar um “nome brasileiro” não só para facilitar a memorização como para demonstrar integração com a nova pátria, desejo verdadeiro dos imigrantes da terra do Sol Nascente.

Não teve como evitar tamanha gentileza e lá foram elas buscar os Monges do Templo para abrir o grande salão e me receber como se eu tivesse alguma importância, sabidamente nenhuma. Eis que sou recepcionado pelos jovens Monge Kayo Shioi e Sensei Nobuaki, ambos discretíssimos, gentis, respeitosos e atenciosos e todos os “osos” mais. Admirei o tradicional Templo por dentro e depois circulei por fora até onde antes nos fundos do terreno era um pátio, hoje coberto e adaptado para as tradicionais festas budistas.

E me convidaram para o Bon Odori (vide crônica em www.folhadaregiao.com.br) que aconteceu no dia 25 de julho, sábado passado e sem a minha presença. Não pude vir de São Paulo para Araçatuba por motivo relevante, pois no mesmo dia foi celebrada a cerimônia do primeiro ano do falecimento do Roberto Loscalzo, meu cinquentenário amigo, na Paróquia San Vito Mártir, no Brás, bairro onde nasceu. Pouco depois, sozinho e no silêncio, recitei para mim mesmo o mantra budista “Namu Amida Butsu”. E fiquei em paz com esse ato de gratidão e entrega. 

É sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato

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