CULINÁRIA

Polpetone

Por Sonia Machiavelli | especial para a Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min

Ingredientes

  • 500 g de carne bovina moída
  • 1 pacote de creme de cebola
  • 100 ml de água gelada
  • 1 xícara (chá) de farinha de rosca
  • 100 g de muçarela cortada em 8 cubos médios
  • 2 colheres (sopa) de óleo
  • 2 xícaras (chá) de polpa de tomate 

A culinária é uma das formas mais vivas de preservar a história e observar a transformação cultural de um povo. O polpetone é um exemplo perfeito desse dinamismo. Embora sua raiz esteja profundamente enterrada no solo italiano, sua evolução e consagração no Brasil revelam como a imigração é capaz de reinventar tradições, criando novos clássicos afetivos.

Na Itália, o polpetone nasce da cucina povera (cozinha pobre ou humilde), um conceito gastronômico baseado no máximo aproveitamento dos ingredientes e no combate ao desperdício. Ele é o irmão maior da polpetta (a almôndega tradicional). Historicamente, quando sobrava carne assada ou cozida de refeições anteriores, as famílias italianas moíam ou desfiavam essa carne, misturando-a com pão amanhecido amolecido em leite ou água, ovos, queijo ralado e ervas.

Diferente do formato esférico e pequeno das almôndegas, o polpetone ganhou um formato alongado ou de um grande bolo de carne, muitas vezes assado ou cozido diretamente no molho de tomate. Na Itália tradicional, ele raramente levava recheio em sua versão mais antiga; o objetivo era fazer a carne render para alimentar famílias numerosas. A receita era sinônimo de aconchego doméstico, um prato tipicamente dominical feito pelas mammas e nonnas.

Com a chegada maciça de imigrantes italianos ao Brasil a partir do final do século XIX, a receita cruzou o oceano e encontrou um novo cenário. Em solo brasileiro, especialmente em São Paulo, a colônia italiana prosperou e a disponibilidade de ingredientes mudou. A carne bovina, que na Itália era um item caro e racionado, era muito mais abundante e acessível no Brasil.

Essa fartura transformou o prato. O polpetone brasileiro deixou de ser uma receita de aproveitamento de sobras e passou a ser elaborado com carne moída fresca e de primeira qualidade. A maior virada identitária do prato no Brasil, no entanto, foi a introdução do recheio generoso de queijo (geralmente muçarela), seguido pelo processo de empanamento e fritura antes de receber o molho de tomate e o queijo parmesão para gratinar.

Essa versão robusta, crocante por fora e recheada com queijo derretido, foi amplamente popularizada por cantinas icônicas de São Paulo, tornando-se uma marca registrada da culinária ítalo-brasileira que difere bastante do padrão encontrado na maior parte da Itália atual.

A importância do polpetone reside na sua capacidade de atuar como uma ponte cultural. Na Itália, ele representa a resiliência e a genialidade de transformar o simples em extraordinário. No Brasil, simboliza a adaptação, o sincretismo gastronômico e a celebração da fartura.

Hoje, seja servido de forma simples em uma Osteria na Toscana ou empanado e transbordando queijo em uma cantina no Bixiga, o polpetone é mais do que um prato de carne: é um testemunho histórico comestível da jornada de um povo e de sua capacidade de fazer da comida uma linguagem universal de afeto.

Como fazer

Coloque a carne, a água e o creme de cebola numa tigela média e misture com garfo. Em seguida use as mãos para sovar a mistura. Disso vai depender um polpetone bem homogêneo e macio. Deixe a mistura descansar por dez minutos. Prove o tempero e corrija o sal se necessário. Neste momento pode-se adicionar algum tipo de pimenta, se quiser. Divida a massa em oito pedaços. Faça bolotas e depois as achate para colocar o recheio que são os pedaços de muçarela. Feche com cuidado vedando bem para que o queijo não escape. Agora as bolotas reconfiguradas deverão passar pelo processo de empanamento que consiste em serem roladas na farinha de rosca. Estando todas prontas, coloque metade do azeite numa frigideira larga e deixe aquecer levemente. Disponha metade dos polpetones e frite-os em fogo baixo para que não queimem. Quando formar uma crostinha, vire do outro lado usando espátula. Coloque os polpetones fritos num refratário coberto com metade do molho de tomates e cubra-os com o restante. Leve ao forno já aquecido e deixe por vinte minutos para terminar de cozinhar por dentro. Sirva bem quente com massa, pão ou salada.  

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