O artista Evair Pereira de Sousa, 33 anos, apesar de jovem, já se destaca entre os maiores escritores e contadores de histórias de Piracicaba. Com influência de grandes profissionais da área, como Ivana Negri e Carmelina de Toledo Piza, entre muitas outras, Evair vem encantando crianças e adultos com sua arte.
Seu interesse pelas letras surgiu ainda na infância, época em que já escrevia pensamentos e sentimentos, que, aos poucos, iam se tornando em histórias. Durante a adolescência, esse hábito se fortaleceu e a escrita passou a fazer parte da sua vida de forma natural, tornando-se uma maneira de compartilhar suas emoções.
Antes de começar na contação histórias, Evair passou pela dança, pelo teatro, pela poesia e por outras formas de expressão. Daí, partiu para vivenciar suas próprias narrativas até chegar à publicação de livros.
O escritor piracicabano disse que sua cidade-natal está em todos seus aspectos de criação, pela relação afetiva com cada parte daqui, como o Rio Piracicaba, o Lago dos Pescadores e o Engenho Central, por exemplo. Ele também conta sua relação com as crianças e sua campanha de financiamento coletivo do seu novo livro, “O Menino que Contava Histórias”, na plataforma Catarse. Veja, abaixo, a entrevista:
Como surgiu o seu interesse pela escrita? Meu interesse pela escrita surgiu ainda na infância. Desde criança, gostava de colocar no papel meus pensamentos, sentimentos e a imaginação por meio de textos que, aos poucos, se transformavam em histórias e poesias. Durante a adolescência, esse hábito se fortaleceu e a escrita passou a fazer parte da minha vida de forma natural, tornando-se uma maneira de expressar quem eu sou, compartilhar emoções e dar voz às histórias que acredito merecerem ser contadas.
Em que momento você percebeu que queria se tornar escritor e contador de histórias? Eu sempre fui muito envolvido com a arte. Minha trajetória começou pela dança, passou pelo teatro, pela poesia e por outras formas de expressão, até eu chegar à contação de histórias. Foi nesse caminho que descobri o poder das palavras, da imaginação e da troca com o público. A contação de histórias veio primeiro. Durante muitos anos, eu contei histórias de outros autores, vivi personagens, criei formas diferentes de encantar crianças e famílias. Com o tempo, essas próprias histórias infantis que eu apresentava começaram a despertar em mim a vontade de criar as minhas próprias narrativas. Depois de muita estrada como contador de histórias, resolvi me aventurar na escrita. Percebi que eu também tinha histórias dentro de mim que precisavam sair do papel e ganhar o mundo. Então, a escrita veio como uma extensão da minha caminhada como contador de histórias: primeiro eu dava voz às histórias dos outros, e depois comecei a dar vida às minhas próprias histórias. Essa versão mantém um tom de entrevista, mais natural e com a sua trajetória artística aparecendo como uma evolução.
Quais foram suas maiores influências literárias? Minhas maiores influências literárias vêm de pessoas que cruzaram a minha trajetória e acreditaram em mim antes mesmo de eu me enxergar como escritor e contador de histórias. Primeiramente, como amante da poesia, quem me incentivou nesse caminho foi a Analuza Teixeira, uma amiga e professora que conheci através dos projetos da Casa do Amor Fraterno, aqui em Piracicaba. Todos os sábados, a Analuza levava livros de poesias para que a gente pudesse conhecer escritores e poetas brasileiros. Foi ela quem abriu as portas para esse universo da poesia e despertou em mim essa vontade de escrever e de me expressar através das palavras. Depois veio a saudosa Ana Marli de Oliveira Jacobino, que foi uma das minhas grandes madrinhas nesse caminho literário. Ela organizava o querido Sarau Literário Piracicabano e sempre reservava um espaço para que eu pudesse apresentar meus poemas. Ana Marli sempre me incentivou, acreditou no meu trabalho e foi uma presença muito importante na minha formação como escritor. Já no universo da contação de histórias, minha grande mestra é Carmelina de Toledo Piza. Foi ela quem me formou contador de histórias, quem me ensinou e me incentivou nessa arte. Inclusive, em uma das edições do Sarau Literário Piracicabano, ela olhou para mim e disse: “Esse menino ainda vai ser meu pupilo”. E eu fui pupilo da Carmelina. Sou muito grato por essa fala, por esse olhar e por esse acreditar dela em mim. O contador de histórias que sou hoje carrega muito dos ensinamentos, do carinho e da confiança que recebi dessas mulheres que fizeram parte da minha caminhada. E hoje, além de inspiração, tenho também uma grande madrinha nesse caminho literário: Ivana Negri. Carinhosamente, eu a chamo de minha madrinha. Ela é uma pessoa muito especial na minha trajetória, pois acompanha meu trabalho, corrige minhas histórias, me aconselha e sempre acredita no meu potencial. Ela costuma dizer que sou um garoto, um jovem polivalente, por estar envolvido em tantos projetos como contador de histórias e escritor. A Ivana sempre apoia meus inúmeros projetos, incentiva minhas criações e me dá aquele olhar cuidadoso de quem acredita, orienta e ajuda a aprimorar o meu caminho artístico. Sou muito grato por ter pessoas tão especiais que caminharam e caminham comigo nessa construção da minha história.
Como a cidade de Piracicaba aparece na sua vida, na sua escrita e na sua contação? Piracicaba está presente em todos os aspectos da minha vida. Como cidadão, tenho uma relação muito afetiva com a cidade. Gosto de caminhar pela orla do Rio Piracicaba, visitar o Engenho Central, assistir a espetáculos no teatro, aproveitar a Área de Lazer e estar no Largo dos Pescadores, seja para participar de eventos culturais, encontrar amigos ou simplesmente viver a cidade. Na minha contação de histórias, Piracicaba aparece por meio da valorização das nossas lendas e da nossa identidade cultural. Faço questão de incluir as lendas piracicabanas no repertório das minhas apresentações, tanto em eventos abertos ao público quanto em projetos culturais, porque acredito que contar essas histórias é uma forma de preservar a memória e fortalecer o sentimento de pertencimento. Além disso, a cidade também está presente nas manifestações culturais que admiro e das quais faço parte, como o maracatu, e em outras expressões tradicionais, como o samba de lenço e o batuque de umbigada. Acredito que toda essa riqueza cultural precisa ser valorizada e apresentada às novas gerações. Na minha escrita e na minha atuação como contador de histórias, Piracicaba não é apenas cenário: ela é inspiração, memória e identidade. É a cidade que me formou, que alimenta minha criatividade e que me motiva a compartilhar histórias que ajudam a preservar e celebrar a nossa cultura.
De onde vêm as ideias para suas histórias? Qual é a parte mais difícil: começar, desenvolver ou finalizar um texto? As ideias para minhas histórias vêm das minhas vivências, das leituras, das minhas memórias, das pessoas que encontro pelo caminho e também da nossa cultura popular que é uma grande fonte de inspiração. Na parte da contação, o mais difícil é desenvolver os elementos que vão compor a apresentação: pensar na indumentária, nos objetos, nos tecidos, nos bonecos, nos fantoches ou até na forma como o próprio livro será utilizado. Cada história pede uma preparação diferente. Já na escrita, o desafio é colocar no papel tudo aquilo que está fervilhando na cabeça e depois passar pelo processo de revisão, ajustes e correções até que a história esteja pronta para chegar ao leitor.
Quais autores brasileiros você mais admira? Existe algum livro que mudou sua maneira de enxergar a literatura? Eu tenho uma admiração muito grande por vários autores brasileiros, principalmente aqueles que conseguem trazer a nossa cultura, a nossa identidade e as nossas histórias para dentro da literatura. Gosto muito de autores que têm esse olhar para as emoções, sentimentos e também para o povo, para as tradições e para as nossas raízes. Tenho uma admiração especial por escritores como Monteiro Lobato, pela forma como ele trabalhou o imaginário infantil e criou um universo que marcou gerações, e também por autores que valorizam a cultura popular brasileira, as lendas e as histórias do nosso país. Também fazem parte do meu repertório e da minha trajetória algumas escritoras piracicabanas que são grandes referências e inspirações para mim. Escritoras como Ivana Negri, Carmen Pilotto e Leda Coletti, que escrevem para o público infantil, fazem poesia e trazem em suas obras a nossa cidade, a nossa cultura, a vida e também as lendas de Piracicaba. Além de serem grandes escritoras, elas também são incentivadoras do meu trabalho, do meu projeto como contador de histórias e da minha caminhada como escritor. Ter esse olhar e esse apoio de pessoas que valorizam a nossa literatura local é algo muito especial para mim. Um livro que mudou muito a minha maneira de enxergar a literatura foi O Pequeno Príncipe, porque ele me mostrou que uma história infantil pode conversar com todas as idades e trazer reflexões profundas sobre a vida, os sentimentos e a nossa forma de olhar para o mundo. Acho que foi ali que comecei a perceber que uma boa história não tem idade: ela pode tocar uma criança de três anos e também uma criança grande de 102 anos, como costumo brincar nas minhas contações. Para mim, a literatura tem esse poder de criar pontes, aproximar pessoas e fazer com que a gente reconheça a nossa própria história. E é isso que busco também no meu trabalho: contar e escrever histórias que valorizem a nossa identidade, a nossa cultura e aquilo que somos.
Você tem um trabalho social por meio de seus livros e também da contação de histórias. Atua muito nas comunidades carentes da cidade e da região? Sim, esse trabalho social faz parte da minha trajetória como contador de histórias e escritor. Eu acredito muito que a arte e a literatura precisam chegar a todos os lugares, principalmente onde muitas vezes o acesso aos livros e às atividades culturais é mais difícil. Ao longo desses anos, tenho desenvolvido projetos em comunidades, escolas, hospitais e espaços culturais, levando histórias, livros e momentos de encantamento para crianças e também para as famílias. Um exemplo é o projeto “Faça um Natal Diferente Doe um Livro Infantil”, que realizo desde 2016, levando livros para crianças, e também o trabalho com o “Barranco de Histórias”, que há anos aproxima a contação de histórias da comunidade. Também tenho muito carinho pelos projetos ligados aos meus livros. Com “Tum Maraca da África para o Brasil”, por exemplo, além de contar uma história sobre a cultura do maracatu, realizo oficinas e atividades que trabalham identidade, cultura e pertencimento. Acredito que quando uma criança recebe um livro ou escuta uma história, ela não recebe apenas palavras, ela recebe possibilidades, sonhos e a oportunidade de se enxergar dentro daquela narrativa. Meu trabalho também passa por hospitais, como o projeto “Hora da História”, levando histórias para crianças que estão em momentos de cuidado e recuperação. Para mim, cada lugar é um espaço possível para plantar uma semente de imaginação, conhecimento e afeto. Eu costumo dizer que a contação de histórias cria uma grande roda, onde cabem crianças pequenas e também as “crianças grandes”. O mais bonito é perceber que uma história pode transformar uma tarde, despertar um sorriso e criar memórias que ficam para a vida toda. Fiz a resposta com um tom de entrevista, mantendo sua forma de falar e destacando o lado social sem parecer um currículo.
Quais foram os maiores desafios para publicar ou divulgar seu trabalho? Eu acho que o maior desafio é justamente fazer a história sair do papel e chegar até as pessoas. Porque quando a gente escreve, quando a gente cria uma história, existe todo um encantamento naquele momento, mas depois vem a parte de buscar caminhos para publicar, divulgar, encontrar parceiros e fazer com que as pessoas conheçam aquele trabalho. Às vezes o artista precisa ser várias pessoas ao mesmo tempo: precisa criar, divulgar, correr atrás, organizar, conversar com as pessoas e acreditar no próprio sonho. No meu caso, cada livro publicado tem uma história por trás. Não é só o livro em si, mas todo o caminho que eu percorri para ele existir. “O Castelo de Sorvetes”, o “Tum Maraca Da África para o Brasil” e agora o “O Menino que Contava Histórias” carregam um pouco da minha trajetória como contador de histórias e como artista. Então, os desafios existem, principalmente na parte de recursos e divulgação, mas quando eu vejo uma criança se encantando com uma história, quando uma família lê um livro meu ou quando alguém se identifica com aquilo que eu criei, eu sinto que todo o caminho valeu a pena.
Como você lida com críticas e opiniões sobre seus textos e sua performance como contador? Eu procuro receber as críticas e opiniões com muito respeito e com o coração aberto. Acredito que toda escuta pode trazer algum aprendizado e ajudar a gente a crescer, tanto como escritor quanto como contador de histórias. É claro que cada pessoa tem um olhar diferente, uma experiência diferente, e nem sempre uma opinião vai ser aquilo que a gente esperava ouvir. Mas eu tento entender o que aquela fala pode acrescentar ao meu trabalho. Ao mesmo tempo, também aprendi a confiar na minha trajetória e na minha essência. Eu sei de onde vêm as minhas histórias, o propósito que existe em cada uma delas e o carinho que coloco em cada apresentação. Então, quando uma crítica vem para construir, ela é muito bem-vinda. E quando é apenas uma opinião diferente, eu respeito, mas continuo seguindo o meu caminho. Acredito que o artista está sempre em processo de aprendizado. Cada história contada, cada livro escrito e cada encontro com o público também ensinam um pouco para mim.
As crianças são seu maior público? Como é sua relação com elas? Tem alguma experiência marcante para compartilhar? Sim, o meu público maior são as crianças. Mas eu também tenho um carinho muito grande pelas crianças grandes, que são os pais, as mães, os tios, as tias, os avós, as avós, enfim, a família toda. Eu costumo brincar que, na minha roda de histórias, cabem crianças de 3 a 102 anos. Todo mundo senta na colcha de retalhos para ouvir uma boa história. É um momento em que o adulto alimenta a sua criança interior e a criança pode simplesmente ser criança. Os dois corações são acalentados pelas histórias. E eu acredito muito que toda história, além de encantar, também ensina. Ao longo desses quase 16 anos como contador de histórias, vivi muitos momentos marcantes. Vou contar dois deles. O primeiro aconteceu em uma feira, em um restaurante aqui em Piracicaba. Eu tinha preparado um repertório voltado para adultos, porque faria o encerramento do evento. Enquanto esperava para começar, ouvi uma menina dizer para a mãe: "Mãe, vai ter contação de histórias. Vamos ficar para ouvir?" A mãe respondeu: "Vamos ficar só para uma história, porque já está tarde e a gente precisa pegar a estrada." Quando ouvi aquilo, pensei: "Essa menina merece ouvir uma história." Então pedi licença ao público e disse: "Nós temos uma criança aqui que precisa ir embora. Antes dela viajar, vou contar uma história só para ela." Contei a história, a família agradeceu e seguiu viagem. Depois continuei normalmente a apresentação. Quatro anos depois, fui convidado para contar histórias justamente na cidade onde aquela menina morava. Assim que terminei uma das histórias, ela levantou a mão e perguntou: "Você vai contar a história da Lolita, a minhoca?" Eu olhei para ela e perguntei: "Você conhece essa história?" E ela respondeu: "Conheço. Você contou essa história só para mim, lá em Piracicaba." Naquele momento eu reconheci quem ela era e fiquei emocionado. A história da Lolita nem fazia parte do repertório daquele dia, mas ela precisou entrar. Afinal, aquela história tinha marcado aquela menina durante quatro anos. Isso mostra o tamanho da força que uma história pode ter na vida de uma criança. O segundo momento também foi muito especial, mas com uma criança grande. Fui convidado para contar histórias no aniversário de dois netinhos, em uma chácara. Tinha brinquedo inflável, muita gente, crianças correndo para todo lado... Em determinado momento, a maioria das crianças levantou para brincar, mas um avô continuou sentado, olhando para mim com um encantamento que eu nunca esqueci. Alguns adultos e duas crianças também permaneceram ali, ouvindo cada história. Passou um tempo e nos encontramos em um almoço de família. Assim que me viu, esse avô perguntou: "Você vai contar histórias hoje?" Eu respondi: "Se o senhor reunir as crianças, eu conto." Ele fez exatamente isso. Chamou todos os netos, organizou uma roda e eu contei a história dos Três Porquinhos. E durante toda a contação, ele acompanhava tudo com um brilho nos olhos, como se também fosse uma criança. Hoje esse avô já virou uma estrela, mas eu guardo esse momento com muito carinho. Ele me lembra que as histórias não encantam apenas as crianças pequenas. Elas também alcançam as crianças grandes que vivem dentro de cada um de nós. Esses são apenas dois dos muitos momentos que confirmam aquilo em que eu mais acredito: uma boa história tem o poder de tocar, emocionar e permanecer viva na memória das pessoas por muitos e muitos anos.
É difícil conciliar a escrita com estudos, trabalho ou outras atividades? Olha, é um desafio, sim. Muita gente acha que eu vivo só da escrita e da contação de histórias, mas, além de tudo isso, eu também tenho um trabalho fixo em horário comercial. Eu trabalho com atendimento ao público e vendas, então a maior conciliação que eu preciso fazer é justamente entre esse trabalho e a escrita. Por isso, muitas vezes eu escrevo à noite, nos finais de semana ou quando aparece aquele momento de inspiração. Nem sempre dá para sentar e escrever na hora que eu quero. Mas eu também costumo dizer que tudo o que eu vivo alimenta a minha escrita. O contato com as pessoas, com as crianças, com as escolas, com as bibliotecas, as viagens, as apresentações e os projetos culturais acabam se transformando em histórias. Então, apesar de ser um desafio conciliar tudo isso, eu acredito que é justamente essa vivência que faz com que os meus livros tenham mais verdade, mais sentimento e um pouco da minha própria história.
Qual obra sua tem um significado mais especial? Por quê? Cada uma das minhas obras tem um significado muito especial na minha vida, porque elas representam diferentes momentos da minha trajetória como artista. O Castelo de Sorvetes nasceu do meu encantamento pelas histórias. Ele reúne os contos de fadas, o poder da imaginação e das palavras, mostrando como as crianças são capazes de transformar o mundo através da fantasia. E, claro, tem uma bruxa, porque eu sempre digo que toda boa história precisa ter uma bruxa. Mas, como nos grandes contos de fadas, no final tudo fica bem. É uma história que encanta tanto as crianças quanto os adultos que já tiveram a oportunidade de ouvi-la ou lê-la. Já o Tum Maraca da África para o Brasil representa um outro lado muito importante da minha caminhada: a ancestralidade, a musicalidade e a resistência do povo africano que foi escravizado no Brasil. O livro fala sobre o maracatu de baque virado, uma manifestação cultural que chegou pelo Porto de Recife e que hoje ecoa pelo mundo inteiro. Como integrante de um grupo de maracatu, essa obra também fala da minha identidade, da minha vivência e do meu pertencimento. E agora estou realizando um grande sonho com O Menino que Contava Histórias, meu próximo livro, que está em processo de financiamento coletivo. É uma obra muito poética, lúdica e inspiradora. Ela fala sobre o poder das histórias, dos sonhos e da imaginação, mas também carrega muito da minha própria essência. Acho que, de todas as minhas obras, essa é a que mais traz um pouco de quem eu sou. No fim das contas, cada livro marca um capítulo da minha vida. Cada um nasceu de um sonho, de uma experiência e de um pedaço da minha história. Por isso, todos têm um lugar muito especial no meu coração.
Há alguma mensagem que você deseja transmitir aos leitores? Sim. Nunca deixem de sonhar, de imaginar e de acreditar no poder das histórias. Um livro pode transformar um dia, despertar um sorriso, fortalecer a esperança e até mudar a forma como enxergamos o mundo. Também desejo que os leitores possam conhecer novos mundos por meio da literatura, mas, ao mesmo tempo, reconhecer as próprias histórias: as histórias da sua família, da sua cidade, da sua terra e do nosso país. Quando conhecemos as nossas raízes, fortalecemos o sentimento de pertencimento e compreendemos melhor quem somos, de onde viemos e o que queremos construir para o futuro. Que cada livro seja um convite para sonhar, brincar, refletir, preservar memórias e transformar vidas. Que nunca nos faltem histórias para contar, ouvir e viver.
Atualmente, você está com uma campanha para publicar seu livro “O Menino que Contava Histórias”. Como fazer para ajudá-lo? A melhor forma de me ajudar é participando da campanha de financiamento coletivo do meu novo livro, O Menino que Contava Histórias, na plataforma Catarse. As contribuições podem ser feitas a partir de R$ 5, e cada apoio faz diferença para que esse sonho se torne realidade. Os recursos arrecadados serão destinados à produção do livro, incluindo ilustrações, revisão, diagramação, impressão e todos os processos necessários para que ele chegue às mãos das crianças, das famílias e dos educadores. Além de contribuir financeiramente, você também pode me ajudar compartilhando a campanha com amigos, familiares e nas redes sociais. Muitas vezes, uma divulgação alcança pessoas que se encantam com o projeto e decidem apoiá-lo. Todas as informações sobre a campanha, como o link para contribuir, as formas de apoio e outras novidades, estão disponíveis no meu Instagram, @evairsousaconta. Acredito que a literatura transforma vidas, e esse livro só será possível graças à união de pessoas que acreditam no poder das histórias. Toda ajuda, seja ela qual for, é muito bem-vinda e recebida com imensa gratidão.
O que a arte das letras e das palavras representa para você? A arte das letras e das palavras representa a minha forma de existir no mundo. É por meio delas que dou voz às minhas memórias, às histórias que ouvi na infância, à cultura popular, às tradições do nosso povo e às experiências que carrego na caminhada como contador de histórias. Escrever, para mim, é um ato de afeto, de resistência e de transformação. Cada texto, poema ou livro nasce com o desejo de tocar alguém, despertar a imaginação e mostrar que as histórias têm o poder de aproximar pessoas, preservar memórias e inspirar novos sonhos. Antes de qualquer preparação de uma história, eu preciso me encantar por ela. Meus olhos precisam brilhar e o meu coração precisa se apaixonar por aquela narrativa. Se esse encantamento não acontece, eu acredito que as crianças pequenas e as crianças grandes, como eu sempre digo também não sentirão essa magia. Por isso, primeiro eu me permito viver a história, sentir cada palavra e me emocionar com ela. Só depois consigo compartilhá-la de forma verdadeira, despertando esse mesmo brilho nos olhos e no coração de quem me escuta. As palavras são pontes. Elas me permitem levar um pouco de mim para cada leitor e, ao mesmo tempo, aprender com cada encontro. Acredito que a literatura tem a força de transformar vidas, especialmente quando chega às mãos de uma criança e desperta nela o encanto pela leitura, pela cultura e pela imaginação. Encantar, para mim, é um ciclo: primeiro eu me encanto, depois compartilho esse encantamento com o mundo.
Como você gostaria de ser lembrado pelos seus leitores? Gostaria de ser lembrado como alguém que acreditou no poder transformador das histórias. Um escritor e contador de histórias que fez da literatura um caminho de afeto, imaginação e encontro entre as pessoas. Espero que meus livros despertem nas crianças o prazer pela leitura, valorizem a cultura popular, as nossas raízes e mostrem que toda história tem o poder de tocar, ensinar e transformar. Se, no futuro, um leitor se lembrar de mim com carinho e disser que uma das minhas histórias o fez sonhar, sorrir ou enxergar o mundo de uma forma diferente, sentirei que cumpri a minha missão.
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