Uma paciente em tratamento psiquiátrico procurou a reportagem da Folha da Região para relatar o que considera uma grave falha na dispensação de medicamentos na UBS 09, no Jardim Santana, em Birigui. Segundo Rhafaela Lodi Siriani, ela recebeu um medicamento diferente daquele prescrito por seu médico e chegou a ingerir duas doses antes de identificar a troca.
O caso ocorreu na última quinta-feira (18). Conforme relato da paciente, ela solicitou que a filha retirasse seus medicamentos de uso contínuo na unidade de saúde, procedimento que já havia sido realizado anteriormente.
Segundo Rhafaela, a receita médica previa o uso de Cloridrato de Clomipramina. No entanto, o medicamento entregue teria sido Cloridrato de Clorpromazina.
Embora possuam nomes semelhantes, os medicamentos possuem indicações terapêuticas distintas e não devem ser substituídos sem orientação médica. A utilização inadvertida de um medicamento diferente do prescrito pode provocar efeitos adversos e exigir acompanhamento profissional, especialmente em pacientes em tratamento psiquiátrico contínuo.
Divergência foi percebida após uso
De acordo com a paciente, a medicação foi separada manualmente pela funcionária responsável antes da entrega.
Ao chegar em casa, ela ingeriu os dois primeiros comprimidos e, posteriormente, percebeu que o nome do medicamento na embalagem não correspondia ao utilizado em seu tratamento.
Segundo Rhafaela, ao entrar em contato com a UBS, a profissional responsável pela dispensação teria reconhecido a divergência e pedido desculpas pelo ocorrido.
Ainda conforme a paciente, a funcionária se dispôs a providenciar a substituição do medicamento para evitar a interrupção do tratamento.
Posteriormente, Rhafaela compareceu à unidade para relatar o caso à coordenação. A Guarda Civil Municipal foi acionada para registrar a ocorrência e colher as versões apresentadas pelos envolvidos.
Filha critica atendimento
A filha da paciente também relatou insatisfação com o atendimento recebido no momento da retirada da medicação.
Segundo ela, os documentos e a receita foram recebidos pela servidora, que teria retornado apenas para entregar os medicamentos, sem realizar conferência verbal na presença da acompanhante.
Medicamento correto foi entregue
Na mesma noite, uma enfermeira compareceu à residência da paciente para entregar a medicação correta, substituindo aquela que, segundo o relato, havia sido dispensada equivocadamente.
Visita de profissionais gera desconforto
No dia seguinte, Rhafaela afirma ter recebido contato informando que profissionais da saúde iriam até sua residência.
Segundo a paciente, quatro pessoas compareceram ao imóvel. Ela relata que o grupo solicitou a devolução dos medicamentos entregues por engano e permaneceu no local por cerca de uma hora.
A paciente afirma ter se sentido desconfortável com a situação e decidiu manter os medicamentos em sua posse para eventual comprovação dos fatos.
Impacto emocional
Rhafaela afirma que o episódio agravou seu estado emocional. Segundo ela, desde a sexta-feira (19) busca atendimento junto ao CAPS para relatar os reflexos do ocorrido e reavaliar seu tratamento.
Até a data desta reportagem, segundo seu relato, ela ainda aguardava atendimento.
A paciente informou que pretende buscar orientação jurídica para avaliar eventuais medidas relacionadas ao caso.
Outro lado
A reportagem da Folha da Região procurou a Prefeitura de Birigui e a Secretaria Municipal de Saúde para obter esclarecimentos.
Entre os questionamentos encaminhados estão quais providências foram adotadas após a suposta troca de medicamentos, se foi instaurado procedimento interno de apuração, quais protocolos de conferência são utilizados na dispensação de medicamentos controlados e qual a finalidade da visita realizada à residência da paciente no dia seguinte ao ocorrido.
Até o fechamento desta edição, a administração municipal não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamento oficial da Prefeitura de Birigui e da Secretaria Municipal de Saúde.
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