Paola Aparecida Rodrigues, de 24 anos, denuncia um suposto erro médico ocorrido durante o parto da filha, realizado na Santa Casa de Birigui no início deste ano. Segundo ela, uma sequência de complicações após a cesariana resultou na perda do ovário direito e motivou o ajuizamento de uma ação judicial.
Quem vê Paola ao lado da filha Isadora, hoje com três meses de vida, dificilmente imagina o drama enfrentado pela família nos últimos meses. A bebê nasceu com 37 semanas de gestação e pesando 2,9 quilos. De acordo com a mãe, a médica responsável pelo parto justificou a realização da cesariana por um suposto quadro de macrossomia fetal, condição caracterizada pelo nascimento de bebês com peso superior a quatro quilos.
“Lá na Saúde da Mulher falaram que minha bebê estava muito grande pelo tempo de gestação. Depois fiz um ultrassom na Santa Casa e a médica que realizou minha cirurgia disse que ela estava do tamanho de uma criança de 40 semanas. Por isso, já fez minha internação com 37 semanas e três dias”, afirmou.
Após o nascimento da filha, Paola relata que passou a sentir fortes dores abdominais e notou o surgimento de hematomas na região da barriga. Segundo ela, o quadro evoluiu rapidamente e exigiu retorno ao centro cirúrgico devido a uma hemorragia.
Dias depois, já em casa, precisou voltar à Santa Casa e foi submetida a uma nova cirurgia de emergência. Conforme seu relato, os médicos identificaram uma infecção.
A paciente permaneceu internada por várias semanas, recebendo alta apenas em 5 de abril. Segundo Paola, foi somente após ingressar com uma ação judicial e ter acesso ao prontuário médico que descobriu informações sobre os procedimentos realizados.
“Eu só tive acesso às informações depois que entrei com um processo e meu advogado conseguiu acesso ao prontuário. Descobrimos que o meu ovário direito pode ter sido retirado e que o útero não foi fechado corretamente”, declarou.
Atualmente, ela segue em acompanhamento médico e realiza sessões de fisioterapia. A dona de casa afirma que ainda enfrenta limitações decorrentes das complicações e alega não estar recebendo o suporte necessário por parte do poder público.
Apuração em andamento
Em nota, a Prefeitura de Birigui informou que o caso já é objeto de um procedimento formal de apuração instaurado anteriormente à reportagem e que tramita na Comissão de Ética da Santa Casa de Misericórdia de Birigui.
Segundo o município, estão sendo analisados prontuários médicos, relatórios assistenciais, documentos clínicos e esclarecimentos prestados pelos profissionais envolvidos, com o objetivo de promover uma avaliação técnica, criteriosa e imparcial dos fatos.
A administração municipal ressaltou que, em razão da apuração em andamento, do sigilo médico e da proteção dos dados da paciente, não é possível antecipar conclusões sobre as causas das intercorrências relatadas ou sobre eventual falha na assistência prestada.
A Prefeitura informou ainda que acompanha o andamento do procedimento e aguardará a conclusão dos trabalhos para eventual adoção das medidas cabíveis.
A Secretaria Municipal de Saúde acrescentou que, após a alta hospitalar, Paola passou a ser acompanhada por uma equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF), que continua prestando atendimento e orientações à paciente.
Por fim, a administração municipal reafirmou o compromisso com a transparência, a qualidade da assistência prestada à população e a apuração rigorosa de qualquer ocorrência que demande análise dos órgãos competentes.
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