Um documento oficial do Ministério das Relações Exteriores revela um novo capítulo envolvendo o hacker brasileiro Patrick César da Silva Brito, que atualmente se encontra na Sérvia.
Conforme informações encaminhadas ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, autoridades sérvias informaram ao governo brasileiro que Patrick deverá receber um perdão judicial entre os meses de outubro e novembro deste ano. A medida, segundo o documento, costuma ser aplicada em situações semelhantes e poderá influenciar diretamente os próximos desdobramentos do caso.
A informação foi transmitida durante uma reunião realizada em Belgrado entre representantes da Embaixada do Brasil e integrantes do Ministério da Justiça da Sérvia, que discutiram a situação do brasileiro e os procedimentos jurídicos em andamento.
Ainda de acordo com o relato oficial, após a eventual concessão do perdão judicial, as autoridades sérvias não vislumbram obstáculos para atender um eventual pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. A manifestação foi feita pelo ministro-adjunto para Cooperação Internacional da Sérvia, Vladimir Vins, durante encontro com diplomatas brasileiros.
O documento representa um avanço relevante no acompanhamento internacional do caso e reforça a cooperação entre os dois países. A expectativa agora é pela conclusão dos procedimentos legais em território sérvio e pela definição dos próximos passos relacionados a uma possível extradição do brasileiro para responder perante a Justiça do Brasil.
Quem é Patrick Brito
Morador de Araçatuba e conhecido nacionalmente por seu envolvimento em crimes cibernéticos, Patrick Brito voltou a ter seu nome em evidência após recentes desdobramentos judiciais. Ao longo dos últimos anos, ele foi alvo de diversas investigações que o colocaram entre os personagens mais polêmicos ligados à prática de invasões digitais e vazamentos de informações sigilosas.
Entre os episódios de maior repercussão está a invasão de contas ligadas ao então prefeito de Araçatuba, Dilador Borges. O caso registrado em dezembro de 2020, teve ampla repercussão na região e chamou a atenção das autoridades para a atuação do hacker.
Patrick também teve seu nome citado em investigações relacionadas à Operação Raio-X, uma das maiores apurações envolvendo suspeitas de corrupção na área da saúde pública no Estado de São Paulo. As investigações buscaram identificar possíveis acessos indevidos, obtenção de informações sigilosas e outros fatos que passaram a ser analisados pelos órgãos competentes.
Mais recentemente, o araçatubense voltou ao centro das atenções após ser apontado em um caso envolvendo a exposição de informações pessoais e dados relacionados a um juiz de Direito. Segundo as investigações, um corretor de imóveis teria auxiliado na obtenção de informações utilizadas na ação criminosa. O profissional acabou preso durante o avanço das apurações.
Após deixar o Brasil, Patrick Brito passou a residir na Sérvia, onde está até hoje.
Defesa aponta recursos pendentes
Em nota, a defesa técnica de Patrick César da Silva Brito afirmou que ainda aguarda o julgamento de recurso relacionado ao pedido de asilo em tramitação na esfera administrativa sérvia.
Segundo os advogados, uma eventual decisão sobre extradição não poderá ser tomada antes da conclusão do processo de asilo, por se tratar de uma decisão soberana da República da Sérvia.
A defesa acrescenta que Patrick ainda poderá recorrer à Corte Europeia de Direitos Humanos e aguardar eventual julgamento de mérito em território sérvio.
Os advogados também sustentam que o brasileiro seria alvo de perseguição política e informaram que preparam recurso junto à Interpol para solicitar a retirada do nome dele da Difusão Vermelha da organização policial internacional. O caso segue em acompanhamento pelas autoridades brasileiras e sérvias.
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