
Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi denunciado por tentativa de golpe no Brasil, Guilherme Piai, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, criticou a acusação e disse que Bolsonaro não participou de tentativa de golpe. Para ele, golpe é tirar o ex-presidente da eleição de 2026.
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“Eu realmente não vejo ligação nenhuma com o presidente Bolsonaro. Eu acho que ele estava ausente desse processo”, afirmou Piai em entrevista exclusiva a OVALE.
“Golpe é não deixar ele disputar nas urnas, golpe é não deixar ele participar do processo democrático, eu torço para que aconteça o melhor para que ele realmente consiga estar apto para disputar em 2026”, completou.
Piai esteve no Vale do Paraíba na última semana para participar do meeting especial sobre o agronegócio promovido por OVALE, na noite de terça-feira (18), em São José dos Campos. Na ocasião, Piai se reuniu com um grupo de 30 dos principais empresários, autoridades e líderes da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba).
Ele falou sobre política, sobre suas pretensões eleitorais, sucessão no estado de São Paulo, sobre o governador Tarcísio de Freitas, o ex-presidente Bolsonaro, a Justiça, polarização e a democracia no Brasil.
Confira trechos da entrevista com o secretário de Agricultura de São Paulo.
O senhor tem pretensão política de concorrer a algum cargo?
Sim, eu já disputei para deputado federal, tive quase 70 mil votos. Coordenei a campanha do governador Tarcísio na região oeste do estado de São Paulo. E a gente está muito feliz em poder servir ao estado. É a primeira vez que eu tenho um cargo público eletivo. Estamos fazendo um trabalho fantástico junto com a minha equipe. Eu tenho um time maravilhoso no Itesp, na Secretaria de Agricultura.
Estão deixando verdadeiros legados e aonde o governador Tarcísio pedir, eu vou estar. Eu sou 100% fiel, 100% leal, grato, ele me fez o secretário de agricultura mais novo da história de São Paulo e aonde ele precisar de mim, eu vou estar ao seu lado, eu vejo que o governador é um grande político, fiel, honesto, leal, inteligente, técnico, preparado com controle emocional. Está revolucionando o estado de São Paulo.
Ele pode galgar voos maiores, mas isso depende, claro, da decisão do presidente Bolsonaro, porque o governador é muito fiel e leal a ele, e na política uma coisa que não é aceita são os traidores. Traidor na política não tem espaço. E eu fico muito feliz quando eu vejo essa lealdade que ele tem com o presidente, mas eu vejo que o governador Tarcísio tem um futuro brilhante e lindo, tem só 49 anos, também é muito jovem para o cargo que ocupa.
O senhor tem quantos anos?
34 anos, e eu vou estar ao lado dele em qualquer que seja o seu projeto e qualquer cargo que ele deseje que eu dispute. Difícil falar isso hoje, o cenário está muito nebuloso, vai passar muita água embaixo dessa ponte, ele não faria isso jamais contra vontade do presidente Jair Messias Bolsonaro. Ele é muito, como eu disse, ele é muito fiel e leal. O nosso candidato é o presidente Jair Messias Bolsonaro, só que tudo vai depender lá na frente da elegibilidade dele ou não. Então, hoje é um cenário, ali na frente é outro.
Política é igual nuvem, se olha para baixo e olha pro céu, mudou totalmente o cenário. Mas eu tenho certeza que ele é um governador com uma perspectiva de reeleição muito grande. Muitas obras dele, ele vai colher os frutos no segundo mandato. Então, caso o presidente Bolsonaro esteja elegível, ele vai apoiar veementemente o presidente Bolsonaro e vai ficar aqui para uma reeleição. Hoje o candidato dele é o presidente Bolsonaro.
Agora, lá na frente, o que vai acontecer depende de todo o cenário político, com posições partidárias, elegibilidade do Bolsonaro. Ele tem que pensar em uma possível sucessão dele aqui em São Paulo, caso ele seja candidato. Mas hoje a resposta é que ele fica aqui no governo de São Paulo.
O ex-presidente Bolsonaro está na eminência de se tornar réu por tentativa de golpe. Como é que o senhor vê essa questão?
Eu vejo que o presente hoje ele está inelegível por uma reunião com embaixadores. E eu acho isso uma grande vergonha. Porque o atual presidente foi condenado em três instâncias por diversos processos de corrupção e se tornou elegível e virou presidente do Brasil. E o presidente Bolsonaro, que fez uma gestão fantástica, que pegou o país na pandemia, numa crise, numa guerra e entregou um país voando em geração de emprego, em PIB, diminuindo impostos e aumentando a arrecadação com um caixa de mais 50 bilhões de reais com ministros fantásticos, como Tarcísio, como Teresa, como Paulo Guedes, está inelegível porque se reuniu com embaixadores. É um golpe à democracia, essa inelegibilidade dele.
Sobre o processo que agora foi feito pela PGR, vai ter o primeiro julgamento para decidir se ele se torna réu ou não no dia 25 de março. Eu realmente não vejo ligação nenhuma com o presidente Bolsonaro. Eu acho que ele estava ausente desse processo. A defesa dele protocolou uma defesa muito robusta e juridicamente bem fundamentada. Agora, o poder judiciário é que vai tomar essa decisão.
A gente fica preocupado com a decisão que vai ser tomada, porque eu acho que golpe é não deixar ele disputar nas urnas, golpe é não deixar ele participar do processo democrático, eu torço para que aconteça o melhor para que ele realmente consiga estar apto para disputar em 2026.
E os ataques que ele fazia ao Supremo, nos eventos que ele participava, na Avenida Paulista? O sr. acha que isso era papel de um presidente ou minimiza essa agressividade que ele tinha ao poder judiciário?
Ele sempre jogou nas quatro linhas e ele nunca ultrapassou os limites dos seus poderes. Coisa que às vezes o poder judiciário brasileiro está fazendo, decidindo coisas que era para o Congresso decidir, que era para o Senado decidir. E a gente precisa buscar esse equilíbrio entre os poderes. Eu respeito o poder judiciário, acredito que a gente precisa melhorar a harmonia entre os poderes. O presidente Bolsonaro hoje tem um discurso muito mais moderado, muito mais tranquilo. E o discurso dele agora em Copacabana mostrou isso, o discurso dele no último ato na Paulista também.
O que ele está buscando é somente a anistia de pessoas que estão sendo condenadas de forma injusta, que estão tendo penas maiores que estupradores, que homicidas. Então, é uma pauta humanitária a anistia ao 8 de Janeiro, não é uma pauta política. Há ali pais de família, mães, idosos, autistas, pessoas com necessidades pessoais sofrendo condenações muito maior do que chefes de quadrilha, do que chefes do crime organizado.
Então nós estamos lutando por uma pauta humanitária agora e vamos ver o que vai acontecer nesse processo que foi juntado no Supremo pela PGR. Acredito que a melhor resolução vai acontecer.
O senhor acha que essa polarização Lula Bolsonaro vai continuar no Brasil por um tempo. Ou acha que o país vai caminhar para uma coisa mais central?
Quando a gente olha a aprovação do governo Lula, já fica muito claro que o governo dele realmente está derretendo. A aprovação é baixíssima, o menor índice histórico. Ele tem uma desaprovação muito alta, uma rejeição muito alta porque prometeu muito, só criou narrativas e não entregou nada. A economia brasileira hoje passa por um momento muito difícil. As pessoas não estão conseguindo ter poder de compra, estão passando necessidades verdadeiras. E o povo realmente liga muitos dos problemas econômicos ao presidente da república.
E o presidente Bolsonaro, mesmo não tendo ganhado a eleição, teve uma votação super expressiva, é um líder da direita, onde ele vai, ele arrasta multidões, só que eu tenho percebido que o discurso dele está muito mais calmo e as eleições de prefeito mostraram que o público está preferindo uma direita mais centrada. Os prefeitos que ganharam as eleições, o Ricardo Nunes na capital, prefeito de diversas cidades grandes de São Paulo e no Brasil todo, quem venceu a eleição foi a centro-direita.
Então eu vejo que o eleitor está buscando uma política da centro-direita, claro, um político que tenha seus posicionamentos firmes, claros, que não negocie os nossos valores, essas pautas são conhecidas por todos, mas também que tenha uma política mais voltada para o diálogo, que é um dos pilares do governo.
O senhor não concorda em colocar Bolsonaro na extrema direita?
Presidente é claramente alguém muito declarado de direita. Agora, o que é extrema? Defender os valores da família, ser contra o aborto, ser contra as legalizações das drogas, defender o porte de arma para o cidadão de bem, isso é ser extrema direita? É isso que a gente tem que se perguntar. Economia livre, ministros técnicos, enxugamento da máquina. Então, eu o vejo como de direita, não acho que ele é extremista. E a direita tem ganhado eleição no mundo todo, em todos os países da Europa, na Argentina, nos Estados Unidos, perceberam isso que a esquerda é socialismo para vocês, capitalismo para nós, o povo pobre e os políticos de esquerda bilionários, bom em narrativas e péssimos na entrega de resultados.
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