As investigações começaram a partir de um vídeo com pouco mais de 30 segundos de duração. Nele, é possível ver que um homem de jaqueta preta e calça jeans é espancado com uma barra de ferro e uma pedra. E que quem desfere os golpes é outro homem, de bermuda e camiseta amarela.
A cena foi gravada por uma terceira pessoa, que interage durante todo o espancamento, orientando o agressor em quais regiões do corpo da vítima ele deveria bater: “na cabeça, não, na cabeça, não… dá o teu braço”. Em outros momentos, o homem que grava afirma: “se caguetar, vai morrer”.
A sessão de violência, que aconteceu em um local não identificado, só termina quando a vítima cai no chão, "destruída" pela surra. Neste momento, o homem que grava adverte o outro comparsa de que era hora de parar. A ordem não era matar a vítima, mas dar-lhe um corretivo.
O crime aconteceu no dia 31 de maio e não foi o único episódio de violência ao qual a polícia teve acesso. Havia outros registros em locais apelidados como “corredor da disciplina” e que fariam parte de um grupo que se mantinha à frente da criminalidade em Mirandópolis.
O vídeo que a Folha da Região exibe com exclusividade foi gravado em Lavínia. A partir dele a operação Domare começou. Na manhã desta quarta-feira, (28), um trabalho em conjunto entre a Policia Civil de Três Lagoas (MS) e a Policia Militar de Mirandópolis resultou na prisão de todos os envolvidos.
FORAGIDO DAVA AS ORDENS
O capturado pela polícia, MSC, 35 anos, vulgo Aranha, é morador de Mirandópolis e já estava na mira dos investigadores da polícia de Lavínia. O homem já tinha uma prisão decretada por suspeita de associação para o tráfico de drogas e estava foragido desde o fim do ano passado.
De acordo com a polícia, ele continuava cometendo crimes e “comandando” uma parcela da criminalidade em Mirandópolis. Um dos “corretivos” a mando de MSC foi gravado no vídeo de maio. A vítima sobreviveu, mas terminou com uma das pernas quebradas.
Além de capturar MSC, apontado como mandante, a operação Domare prendeu os outros dois comparsas que cumpriam os comandos: PHPS, 19 anos, e PSFS, 25 anos.
Com os três envolvidos no suposto tribunal do crime foram encontradas as vestimentas em que aparecem nas imagens e o bastão de ferro utilizado no espancamento, além de celulares e outros objetos que a polícia utilizará para dar continuidade à operação.
De acordo com o delegado titular de Mirandópolis, Thiago Rodrigues Barroca, as prisões desta quarta-feira tiram de circulação criminosos que praticam uma “justiça paralela" e tentam subjugar as leis. Ele atribuiu o resultado da operação ao trabalho em conjunto do policiamento.
Foram decretadas a prisão temporária dos dois homens que atuavam como “soldados” do crime. Ambos foram encaminhamos para a Cadeia Pública de Pereira Barreto. Já o mentor está detido em Três Lagoas (MS).
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