O irmão de Matheus Mendonça Rodrigues, 30 anos, ex-policial militar assassinado pela própria esposa, também PM, na tarde de segunda feira, 6, em Araçatuba, disse que os dois tinham brigas constantes. Fernando Rodrigues disse que seu irmão era uma “pessoa doce com a família e amigos, mas tinha o temperamento explosivo”. O sepultamento de Matheus está marcado para as 10h desta quarta, 8, no cemitério Jardim da Luz, em Araçatuba.
“Eu mesmo já briguei com ele, mas era apenas um menino de temperamento explosivo, porém logo ele voltava às boas e a vida tocava”, afirmou Fernando durante o velório do irmão.
Fernando disse que no início do namoro aconselhou a PM feminina a se desligar da relação com Matheus exatamente por causa do temperamento forte dele, mas que ela não quis ouvir. "Eles brigavam muito, E essa (dia do crime) não foi a primeira vez", contou.
O irmão disse que o irmão está sendo tratado como “carrasco” na cidade, mas que isso não é merecido. “Aqui no velório dele estava cheio de gente, estava lotado. Três grupos de pagode aqui, cujos integrantes eram amigos dele, estavam aqui. Você acha que se ele fosse uma pessoa ruim teria tanta gente aqui?, questionou.
Fernando também questionou a tese de legítima defesa, apresentada à polícia pela cunhada. “Será que as autoridades vão apurar a fundo esse caso?”.
Por fim, ele afirmou que a grande paixão do ex-PM assassinado eram suas sobrinhas, tanto que a página dele no Facebook está cheia de fotos com as meninas.
Sobre a saída do irmão da corporação, Fernando afirmou que ele “contrariou interesses e que grupos criminosos, que plantaram noticias falsas a respeito dele”.
A policial militar feminina alegou que agiu em legítima defesa devido às agressões que estava sofrendo no momento da briga de segunda-feira, 6. O marido, inclusive, teria tentado esganá-la. Segundo a polícia, ela própria ligou para o 190 após os disparos – quatro tiros acertaram Matheus – e aguardou pela chegada do resgate e da polícia. Ele foi levado para a Santa Casa de Araçatuba, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu na madrugada de terça, 7. Ela foi ouvida na delegacia e liberada em seguida para responder ao inquérito em liberdade.
A PM informou que a policial não seria submetida a procedimento administrativo enquanto perdurar o andamento do processo penal, até sua conclusão.
Segundo a corporação, tanto no artigo 23 do Código Penal como no artigo 42 do Código Penal Militar são previstos os chamados excludentes de ilicitude – estado de necessidade; legítima defesa; estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito, que diz não haver crime quando o agente “pratica o fato espelhado ao citado acima” (legítima defesa).
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