Artigo

A genealogia da fofoca

Por | Adelmo Pinho*
| Tempo de leitura: 2 min
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Promotor Adelmo Pinho
Promotor Adelmo Pinho

Fofoca ou fuxico consiste na divulgação de fatos da vida alheia, verídicos ou não, sem o respectivo consentimento. “Mário Fofoca”, por exemplo, foi um personagem (detetive) cômico da telenovela da Rede Globo, “Elas por Elas”, de 1982, interpretado pelo saudoso ator Luís Gustavo.

A fofoca costuma focar principalmente os famosos, os quais muitas vezes gostam ou até a cultuam, por publicidade. Pessoas comuns também podem ser alvos de fuxico. Este pode gerar consequências sociais graves, como discórdias, brigas, divórcios ou até assassinatos. A fofoca, a depender do conteúdo e contexto, pode configurar crime contra a honra (injúria, calúnia ou difamação).

Assim, aos fofoqueiros (as) de plantão, cuidado com o teor do fuxico! Há pessoas com perfil para a fofoca, como se o mexerico fosse algo congênito ou necessário a sua sobrevivência.

Sabe-se que o controle sobre o pensamento é difícil, mas a “língua” pode ser contida mais facilmente, mesmo para os (as) profissionais desse “ramo”. As chamadas, “Três Peneiras” de Sócrates (filósofo grego – 399 a 470 a.C), trata-se de uma metáfora bem adequada ao tema: “Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava do seu interesse: –“Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!”

– “Espera um momento” – disse Sócrates – “Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.”

– “Três peneiras? Que queres dizer?”

– “Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conhece, presta bem atenção.

A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?”

– “Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.”

“A segunda peneira é da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?” Envergonhado, o homem respondeu: – “Devo confessar que não.”

“A terceira é a peneira da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?”

– “Útil, na verdade, não.” Então, disse-lhe o sábio: “se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, é melhor que guardes apenas para ti.”

Moral da história: quando for reproduzir algum fato relacionado a outra pessoa, verifique, antes, se é verdade, se é bom ou útil. Caso contrário, cale-se!

(*Adelmo Pinho - promotor de Justiça em Araçatuba)

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