O deputado estadual Paulo Fiorilo, do PT (Partido dos Trabalhadores), estará hoje e amanhã na região de Araçatuba para promover debates sobre desenvolvimento econômico, social e ambiental. Ele, que tem um trabalho voltado ao desenvolvimento regional e é presidente da Comissão de Relações Internacionais da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), conversou com a reportagem da Folha da Região e antecipou alguns dos temas, como o efeito colateral do avanço da cana-de-açúcar e também a falta de representatividade da região no legislativo estadual.
Fiorilo recebe, nessa passagem, o título de Cidadão de Buritama e, além de Araçatuba, também vai passar por Murutinga do Sul, Valparaíso, Andradina, Castilho, Santópolis do Aguapeí e Itapura. A seguir, a entrevista.
O senhor está visitando Araçatuba por esses dias. O senhor tem ligações com a região?
Estou no meu primeiro mandato como deputado estadual pelo PT e tenho acompanhado a cidade de Araçatuba e também a região desde o início do mandato. Na verdade, desde o processo eleitoral de 2018, por conta da minha relação com o deputado Zico Prado. À época, ele já acompanhava e tinha um trabalho com a região, o que nos fez continuar essa relação e fortalecê-la durante os últimos anos através das emendas parlamentares e também pela relação com várias lideranças que apoiam nosso mandato.
A região sempre foi forte na pecuária, mas está vendo o avanço da cana nos últimos anos. Um dos efeitos colaterais foi o surgimento das tempestades de areia. De que forma a sociedade pode se organizar politicamente para encontrar o equilíbrio entre economia e preservação do meio ambiente?
O avanço da monocultura da cana-de-açúcar tem sido um problema não somente para Araçatuba, mas para todo o estado de São Paulo. A Assembleia Legislativa chegou a discutir a possibilidade de propor normativas para evitar o avanço da monocultura. Para evitar não apenas as tempestades de areia, mas também o desgaste do solo provocado por esse tipo de produção.
Infelizmente, esse debate não avançou, mas a questão do plano de manejo é muito importante. Em algumas regiões do Estado, os próprios agricultores já fazem isso. Acho que se a sociedade se organizar e cobrar, tanto da prefeitura quanto do governo do Estado, a gente pode avançar em ações que nos ajudem a encontrar o equilíbrio tão necessário e que hoje a gente percebe que não existe.
Araçatuba não tem um representante na Assembleia e no Congresso há alguns anos. Como o senhor vê o impacto da falta de representatividade para uma região?
Acho que quando você não tem um representante da região perde-se a oportunidade de debates mais temáticos e regionais. É óbvio que outros deputados acompanham e atuam, apresentando emendas e dialogando com prefeitos, vereadores, entidades da sociedade; apresentando projetos de lei que sejam relevantes para a região ou, como é o caso do nosso mandato, propondo também discussões no âmbito do desenvolvimento econômico regional, que é um trabalho que desempenhamos no nosso mandato através da Frente Parlamentar de Desenvolvimento Econômico Regional.
Acho que o cenário piorou desde 2018 quando houve uma concentração de candidaturas da cidade de São Paulo, muito em função do processo eleitoral com Bolsonaro e candidaturas puxadoras de voto. Araçatuba e outras regiões do interior vêm sofrendo com essa falta de representação.
A Assembléia Legislativa aprovou, na semana passada, em regime de urgência, o projeto de lei que institui o Programa Estadual de Regularização de Terras. Qual o impacto desse projeto e qual a posição do senhor sobre ele?
Com relação ao PL 277/22, a bancada do Partido dos Trabalhadores se posicionou contrária porque entende que terras públicas devolutas devem ser utilizadas para assentamentos rurais, potencializando a agricultura familiar. Infelizmente, não foi essa a visão do governo Rodrigo Garcia e de sua base na Assembleia de São Paulo.
Essa aprovação vai abrir possibilidade de aquisição dessas terras por fazendeiros, o que na nossa opinião favorece a concentração de terras. Ao fim e ao cabo, a aprovação desse projeto se conecta com a discussão inicial da entrevista, sobre a monocultura, porque na concentração de terras pode-se optar por uma produção mais rentável, como a canade-açúcar, em detrimento da produção de alimentos, que tem seu potencial valorizado nos assentamentos rurais e na agricultura familiar. Com o aumento da fome e da miséria no País e no Estado, garantir terra pública a quem nela quer produzir alimentos deveria ser a política pública mais importante neste momento.
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