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Pereira Barreto recebe infantil inspirado em Manoel de Barros com a Cia. de Achadouros

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 5 min
HISTÓRIA valoriza as pequenas coisas, a beleza contida nas sutilezas, a graça do imaginar, as brincadeiras espontâneas e colaborativas e o contato com a natureza
Crédito da foto: Divulgação
HISTÓRIA valoriza as pequenas coisas, a beleza contida nas sutilezas, a graça do imaginar, as brincadeiras espontâneas e colaborativas e o contato com a natureza Crédito da foto: Divulgação

O espetáculo, indicado ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem em 2 categorias, cumpre circulação gratuita por 7 cidades margeadas pelo Rio Tietê

A paulistana Cia. de Achadouros apresenta o espetáculo infantil Os Lavadores de Histórias, amanhã (25), às 16h, na Casa de Cultura Maestro Aristeu Custódio Moreira, em Pereira Barreto-SP, com ingressos gratuitos.

Inspirada na poesia do cuiabano Manoel de Barros, a peça - dirigida por Tereza Gontijo com dramaturgia de Silvia Camossa, em processo colaborativo com o grupo - fala sobre memórias esquecidas da infância, guardadas em objetos abandonados. A montagem foi indicada ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem nas categorias Direção Revelação e Trilha Musical Adaptada.

 Os Lavadores de Histórias são Urucum, Tom Tom e Jatobá, interpretados pelos atores palhaços Emiliano Favacho, Mariá Guedes e Felipe Michelini, respectivamente. Durante a noite, visitam quintais para lavar objetos esquecidos ou abandonados, como brinquedos e roupas, e reviver momentos da infância. Eles carregam consigo o Rio da Memória. Nas águas desse rio vão lavando os objetos, revelando histórias, fantasias, personagens e brincadeiras. Eles ficam tocados, mas também se divertem muito com os segredos revelados. Por meio de cenas cômicas e circenses, teatro de sombras e objetos, o espetáculo faz uma sensível reflexão sobre a relação da criança com o mundo real e o da imaginação, lançado um olhar lúdico e poético sobre a infância.

 A circulação, que já passou por Suzano (14/5), Salesópolis (19/5) e Santana de Parnaíba (21/5), contempla sete cidades do interior paulista, banhadas pelo Rio Tietê, numa referência ao Rio da Memória presente no enredo da peça. O Rio Tietê, que nasce em Salesópolis (Serra do Mar), percorre praticamente todo o estado de São Paulo e deságua no Rio Paraná. A circulação segue o trajeto do rio em direção a Mato Grosso, onde nasceu Manoel de Barros.

 Na sequência, a companhia Botucatu (30/07, às 16h, no Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci, no Festival de Inverno de Botucatu), Ilha Solteira (13/08, às 19h, na Casa da Cultura Rachel Dossi, integrando a Mostra de Teatro de Ilha Solteira) e Pirapora do Bom Jesus (Casa de Cultura de Pirapora, data a definir).

 Três ações completam a programação em cada cidade: Varal de Memórias, uma instalação cenográfica interativa, na qual o público poderá pendurar suas histórias e lembranças da infância; distribuição de Programa Lúdico, contendo jogos divertidos e brincadeiras para as crianças com temas relacionados ao enredo da peça; produção de Mini Documentário com depoimentos e relatos de espectadores sobre a relação com o rio da sua cidade, registros da circulação e bastidores, que será disponibilizado no YouTube da Cia. de Achadouros.

ENCENAÇÃO

 Tendo como ponto de partida a potente e delicada poesia Manoel de Barros (1916-2014, Cuiabá/MT), Os Lavadores de Histórias valoriza as pequenas coisas, a beleza contida nas sutilezas, a graça do imaginar, as brincadeiras espontâneas e colaborativas e o contato com a natureza. Os atores fizeram uma imersão na obra do poeta e foram para as ruas do bairro São Mateus, em São Paulo, em busca de histórias reais da memória afetiva de moradores antigos e crianças. “Um dos poemas de Manoel de Barros que mais nos inspirou foi Desobjeto, que fala sobre usar a imaginação para dar novos sentidos e funções a um objeto, transformá-lo em outra coisa na hora de brincar”, comenta Felipe Michelini. Os protagonistas revelam que lembranças de suas próprias infâncias e de outras pessoas envolvidas na produção também estão no enredo.

 A diretora Tereza Gontijo - mineira de Belo Horizonte, que também é palhaça, integrante dos Doutores da Alegria e da Cia. Vagalum Tum Tum - enfatiza que o espetáculo foi concebido para a família. “Enquanto a palhaçaria é diversão garantida para as crianças, o tom lírico e poético da peça toca os adultos ao acionar o dispositivo das lembranças da infância”. Ela afirma que o processo junto à Cia. de Achadouros teve como estímulo o prazer do jogo de palhaços no trabalho de criar para o público infantil.

 Urucum, Tom Tom e Jatobá sabemque as coisas esquecidas nos quintas guardam muitas histórias de meninos e meninas que cresceram e não lembram mais das brincadeiras e dos sonhos. As histórias surgem à medida que objetos e brinquedos são lavados e revelados. Entre as cenas está O menino que queria voar: um lençol manchado revela o garoto que queria viajar pelo mundo. Às vezes, fazia xixi enquanto dormia e se escondia embaixo da cama, sonhando em voar e unir os quatro continentes. Tem também A menina triste que descobre o que a faz feliz:um lenço colorido traz a história da menina que vivia triste até conhecer um garoto mágico (inspirada em conversas com a sambista Tia Cida, moradora da região de São Mateus). Ela o encontra quando vai buscar lenha e o acompanha até o acampamento cigano, descobrindo ali o seu amor pela música. Em O menino que vai para a lua com o amigo imaginário,um sapato velho se transforma em interfone secreto para anunciar a missão da primeira criança a pisar na lua (história do ator Felipe). Em A menina que encantava os passarinhos,uma velha escova de cabelos traz para a cena a história de uma rádio de passarinhos (memória da atriz Mariá). Muitas aves participam da programação: a andorinha dá receita de bolinho de chuva (chuva mesmo!); o tico-tico, que voa alto, faz a previsão do tempo; no futebol, os jogadores são pássaros; e a radionovela dramatiza a história do menino que ficou chateado porque ia ganhar uma irmãzinha, não um “irmãozinho para brincar”, mas descobre a alegria dessa nova relação (história de Emiliano).

 Para o grupo, Os Lavadores de Histórias quer fazer o público lembrar coisas que não deveriam ser esquecidas, lembrar que brincar junto é fundamental, e quebrar as amarras dos adultos pela memória afetiva para que pais e filhos revivam a magia do brincar.

 SERVIÇO

 Espetáculo: Os Lavadores de Histórias

Com: Cia. de Achadouros

25 de junho. Sábado, às 16h

Casa da Cultura Maestro Aristeu Custódio Moreira

Rua Dermival Franceschi, 2301 - Centro. Pereira Barreto-SP

Grátis. Duração: 50 min. Livre (recomendação: 4 anos).

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