A sociedade evolui passo a passo. Quando se proibiu o cigarro em lugares fechados, houve muita gritaria, mas hoje é impensável que seja diferente. Antes disso, o uso obrigatório do cinto de segurança também teve grande rejeição imediata. Hoje, está tão incorporado ao cotidiano que se tornou gesto automático.
Neste momento, a introdução de câmeras de vídeo na farda dos policiais é uma destas novidades que aos poucos vão moldando os costumes. Dados publicados ontem pela Polícia Militar dão conta de que houve uma redução de 87% nas ocorrências de confronto desde que o equipamento foi adotado. Os equipamentos instalados nas fardas dos policiais registram áudio e vídeo em tempo real, e começaram a ser usados em 2020. Segundo a PM, a queda registrada é 10 vezes maior do que nos batalhões que não utilizam equipamentos.
Ainda de acordo com o levantamento da corporação, na comparação entre os meses de junho e outubro de 2019, 2020 e 2021, as ocorrências de resistência às abordagens policiais caíram 32,7% nos batalhões que usam as câmeras operacionais portáteis. Nos demais batalhões, a redução no período ficou em 19,2%.
A PM destaca ainda que além de reduzir as mortes devido à ação policial, as câmeras ajudam a preservar os próprios policiais. As câmeras corporais despontam também, segundo a corporação, como um importante instrumento de defesa e segurança do policia, pois o sistema que transmite áudio, vídeo e localização em tempo real “garante uma análise detalhada do cenário de atuação dos policiais em situações de risco e/ou emergência”.
“A negligência e o descaso da sociedade e das autoridades com os valorosos policiais militares ainda fere e mata.”
Vale ressaltar estes bravos homens e mulheres colocam suas vidas em risco, todos os dias, para protegerem a sociedade, que nem sempre reconhece estes trabalhos. A maioria dos olhos está voltada para os possíveis erros e excessos dos militares. Poucos observam o quanto a luta contra a violência e o tráfico é desigual tanto pela quantidade de efetivo quanto pelo armamento disponível.
A saúde física e mental dos nossos policiais é geralmente negligenciada pelas autoridades e pela comunidade. Só quem coloca o peito a tiro todos os dias, deixando familiares em casa aflitos, sabe o que é ser um defensor nas ruas brasileiras.
Estatísticas mostram que 49 policiais foram assassinados no estado de São Paulo em 2020. Este número é 44% maior do que o registrado em 2019, quando 34 agentes foram mortos. O aumento ocorreu mesmo com a pandemia da Covid-19. Essa tendência de alta também foi constatada no Brasil, com uma alta de 10% das mortes de policiais no período.
Se as câmeras evitam excesso por partes dos policiais ao mesmo tempo que ajudam a preservar a vida dos agentes públicos da lei, a negligência e o descaso da sociedade e das autoridades com os valorosos policiais militares ainda fere e mata.
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