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Pastores presos teriam histórico de agressão e exploração a outros jovens

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
INVESTIGAÇÃO Os jovens também seriam agredidos fisicamente, e alguns foram identificados com cicatrizes no corpo, causadas por objetos arremessados pela pastora. Foto: Divulgação
INVESTIGAÇÃO Os jovens também seriam agredidos fisicamente, e alguns foram identificados com cicatrizes no corpo, causadas por objetos arremessados pela pastora. Foto: Divulgação

Os três tiveram mandado de prisão temporária por 30 dias por suspeita pela morte de Edjane de Jesus Silva, de 35 anos, que morreu no dia 3 de junho de 2020

O casal de pastores, que foi preso na madrugada de quinta-feira (24), em Araçatuba, teria histórico de agressão e exploração de jovens, que eram obrigados a vender doces e outras mercadorias na rua para arrecadar dinheiro para eles. O filho deles também foi preso na sexta-feira (25).

Os três tiveram mandado de prisão temporária por 30 dias por suspeita pela morte de Edjane de Jesus Silva, de 35 anos, que morreu no dia 3 de junho de 2020, na residência da família, no bairro Santa Maria, em Aracaju. Segundo a polícia, a vítima teria se apaixonado pelo filho do casal, e teria sido acolhida pela família, mas o sentimento não era correspondido pelo rapaz.

Com o tempo, Edjane passou a ser explorada, fazendo serviços para o casal, em condição análoga à escravidão. O mesmo teria acontecido com outros jovens que frequentavam a igreja deles e eram obrigados a vender doces nas ruas para supostamente arrecadar dinheiro para a igreja. Mas, na verdade, o dinheiro era para o casal.

Os jovens também seriam agredidos fisicamente, e alguns foram identificados com cicatrizes no corpo, causadas por objetos arremessados pela pastora, que seria uma pessoa violenta. Testemunhas relataram que os pastores diziam que eles estavam possuídos e precisavam ser exorcizados, por isso as agressões eram para discipliná-los.

A mãe e a irmã de Edjane registraram boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento da moça, que apesar da idade, seria uma pessoa simples e ingênua. A investigação teve início no bairro onde foi registrado o desaparecimento e um inquérito instaurado em novembro do ano passado.

Durante a investigação, a irmã da vítima teria contado à polícia que no dia em que ela morreu, foi chamada pelos pastores e chegou a vê-la agonizando no chão da residência, mas não denunciou o casal e nem chamou por socorro. De acordo com testemunhas, Djane teria hematomas no corpo e até o órgão genital queimado.

 ENCONTRADOS

O casal, ele de 44 anos e ela de 43, foi preso na madrugada de quinta-feira (24), na rodovia Marechal Rondon, em Araçatuba. Eles estariam vivendo no bairro Alto, em Birigui. Pelo horário e por estarem em um carro com placas de outro estado, Aracaju (SE), a Polícia Rodoviária resolveu abordar e consultar o emplacamento na base.

O carro estava em situação regular e o pastor era o proprietário. Mas foi descoberto que o homem era investigado pela polícia e que a mulher, que estava no passageiro, tinha um mandado de prisão temporária por 30 dias em aberto.

PRISÕES

Os dois foram levados ao Plantão Policial e o pastor da igreja que eles frequentam em Birigui esteve na delegacia. Um advogado também foi notificado. A Deic (Divisão Especializada em Investigações Criminais) fez contato com a Polícia Civil de Sergipe e descobriu que havia também um mandado de prisão contra o filho dos acusados. Na manhã do dia 25, equipe do GOE (Grupo de Operações Especiais) esteve em uma casa em Birigui para deter o rapaz, mas ele não foi encontrado.

Os policiais encontraram outro jovem que viajou com a família e que seria testemunha da morte de Edjane. Ele foi interrogado por videoconferência, e só não admitiu que houve espancamento, segundo o delegado. Contou ainda que não chamou o Samu pois os pastores o alertaram sobre os hematomas que ela tinha no corpo, devido a agressões anteriores. O rapaz ainda revelou que, em Birigui, trabalhava para a família da mesma forma que em Aracaju.

O filho do casal foi encontrado no período da tarde, em Araçatuba, em uma residência do pastor no bairro Casa Nova. Os três foram levados para Aracaju para o andamento do inquérito. Após a morte de Edjane, o corpo teria sido levado para o município de Teotônio Vilela, em Alagoas, terra natal dos pastores. O delegado espera que os investigados levem a polícia até o local para reaver o corpo e que a família possa realizar um velório. Os casos de exploração e agressão a outros jovens seguem em investigação.

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