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Caso Mirela: Delegado fala sobre a investigação, após comoção dos moradores

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Após informações circularem, moradores da região movimentam as redes sociais. Um grupo se reuniu em frente a Delegacia nesta terça-feira (15)

Francielle Ribeiro

Em contato com a reportagem da Folha da Região, o delegado Eugênio Pedro, que presidiu o caso da menina Mirela em Penápolis nesta segunda-feira (14), esclareceu dúvidas sobre o andamento das investigações.

Após a divulgação da morte da menina Mirela, de 1 ano e 3 meses, nesta segunda-feira (14), houve grande comoção dos moradores da região. Algumas informações circularam na internet, além da movimentação que vem acontecendo no perfil da mãe da vítima.

 Nesta terça-feira (15), um áudio passou a circular via Whatsapp, em que uma mulher afirma ter saído o laudo necroscópico da vítima, confirmando o abuso e reforçando a revolta da população. O Delegado Eugênio, negou essa informação.

 "Ainda não tem laudo. O corpo foi enviado para Promissão, pois não havia pediatra para atender em Penápolis, do mesmo modo que o caso foi mandado para o IML de Araçatuba, já que aqui não tem. O laudo demora pelo menos uns 30 dias para sair, pois ainda será enviado a São Paulo", afirmou o delegado.

De acordo com ele, o procedimento da investigação foi cumprido dentro das condições jurídicas possíveis no momento. "Ontem a médica ligou falando que havia uma criança morta, eu intimei todos e eles prestaram depoimento. Ouvi todo mundo que tinha que ouvir".

Eugênio explica que não houve voz de prisão, pois não havia embasamento jurídico necessário para tal. "O casal foi ouvido e liberado. Como que um delegado faz um flagrante sem laudo? Além disso, quem determina a prisão é o juiz, o delegado apenas repõe. Isso não descarta nada. Mas também não posso fazer muito sem laudo", relata. O delegado também negou a existência de outras denúncias ao conselho tutelar, envolvendo violência ou abuso relacionado à vítima.

CASO

Mirela Fernanda Pereira das Neves, de 1 ano e 3 meses, foi encaminhada já sem vida ao prontosocorro de Penápolis, na tarde desta segunda-feira (14). Após reconhecimento de ferimentos e sinais de abuso, pela médica que atendeu o corpo, a Polícia Militar foi acionada pelas suspeitas de maus tratos.

A mãe e o padrasto de Mirela disseram que encontraram a menina morta às 11h30, quando foram visitá-la no quarto. O casal foi ouvido pelo delegado e aguarda em liberdade pela investigação. De acordo com o delegado Eugênio Pedro, eles se encontram em um lugar seguro.

(Colaboração Maryla Buzati/ estagiária)

MORADORES PROTESTAM EM DELEGACIA

 Na tarde desta terça-feira (15), um grupo de pessoas se reuniu em frente a Delegacia Civil de Penápolis (SP), em protesto contra a liberdade da mãe e do padrasto de Mirela. A movimentação iniciou pelas redes sociais, convidando moradores da cidade a se encontraram no local e permaneceram até por volta das 17h30.

ATO Pessoas se reuniram pedindo a prisão da mãe e do padrasto da vítima. Foto: Divulgação

Hannah Kattarina, 23, é artista e ativista da cidade de Penápolis e participou do ato. Para ela, é importante reforçar que o caso da Mirela é uma consequência da falta de segurança no estado e formação e prevenção das crianças.

"As crianças são o grupo mais vulnerável que existe, pois não possuem nenhuma instituição que invista verdadeiramente em sua segurança e educação sexual, pois não são levadas a sério e, muitas vezes, não tem mesmo a fala formada, prejudicando a comunicação de problemas e abusos como esses, muitas vezes ameaçadas ou subornadas para não contarem. Mirela é mais uma vítima que arca com as consequências de uma cultura pedófila e pornificada, assim como diárias vítimas no Brasil e no mundo.", afirma.

Já para Sara Danieli, 21, moradora de Penápolis, o momento é de revolta. "Eu fui pela revolta e porque também sou mãe. Eu penso que pavorosas a frieza e a crueldade. Como alguém pode ter maldade com um bebê? Isso não se encaixa na minha cabeça", afirma.

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