Cultura

Festival de Teatro Virtual apresenta os premiados 'Habite-me' e 'Limita-ações'

Por Da Redação |
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Divulgação/Funarte
Divulgação/Funarte

ON-LINE Espetáculos ficam disponíveis gratuitamente no canal da Funarte; programação tem 25 apresentações teatrais, de grupos e companhias das cinco regiões do Brasil

OFestival de Teatro Virtual apresenta mais dois espetáculos da região Sul, encerrando a agenda do local na programação. “Habite-me teatro de máscaras, bonecos e dança”, da gaúcha CIA 4, para maiores de 12 anos, está disponível no canal da Funarte no YouTube.

No trabalho, com música composta pelo belga Tuur Florizoone, um ser humano dá vida a sete personagens, convidando a pensar sobre a inconstância da matéria e a efemeridade do tempo. Na última sexta-feira (08), a catarinense Dionísos Teatro exibiu Limita-ações: as coisas que guardamos, para maiores de 14 anos. A obra revisa os 24 anos do grupo, em uma bricolagem de cenas com material cênico de mais de 20 espetáculos.

A programação do Festival de Teatro Virtual tem 25 apresentações teatrais, de grupos e companhias das cinco regiões do País, voltadas ao público adulto e infantil. As montagens foram premiadas pelo edital Prêmio Funarte Festival de Teatro Virtual 2020. Um novo projeto é divulgado todas as quintas e sextas, até o final de outubro, sempre a partir das 18h30. Os vídeos ficam disponíveis para acesso posterior, em: bit.ly/FestivaldeTeatroVirtual.

OBRAS

“Habite-me teatro de máscaras, bonecos e dança”

A obra Habite-me teatro de máscaras, bonecos e dançautiliza o corpo humano marionetizado e o boneco animado, em um espaço que busca representar a efemeridade do tempo, a inconstância da matéria e o sentido de pertencimento e habitação no mundo. Na história, um ser humano vai dando vida a sete personagens, com máscaras, bonecos e dança. A música que guia a narrativa foi criada especialmente para o espetáculo, pelo músico belga Tuur Florizoone. Já a criação dos bonecos foi feita por Emilie Racine, da companhia teatral canadense Territoire 80.

Em agosto deste ano, Habite-me também venceu o Prêmio APTR de Espetáculo Adaptado Editado, concedido pela Associação dos Produtores de Teatro. Carolina Garcia, que atua no espetáculo e fez a pesquisa para a montagem, comenta sobre o trabalho de adaptação da arte ao período que estamos vivendo.

“Receber o prêmio ATPR foi uma feliz surpresa, em meio a esses planos de adaptação da arte, entendendo a maneira híbrida de lidar com os conteúdos que a gente tem no teatro. O teatro é a arte da presença, do encontro. A gente busca formas para que o que a gente realiza no teatro possa ser adaptado e chegar a encontrar as pessoas em uma plataforma on-line”, diz Carolina Garcia.

A adequação para o on-line, explica Carolina, foi uma oportunidade de enxergar a obra em uma outra linguagem e de chegar a mais pessoas, além da possibilidade de oferecer recursos de acessibilidade, como audiodescrição e legenda. “Acredito que tenha sido muito produtivo, no âmbito da pandemia, a gente ter aproveitado essa oportunidade para entender que o espetáculo também funciona dessa forma.”

REFLEXÃO Um ser humano dá vida a sete personagens, convidando a pensar sobre a inconstância da matéria e a efemeridade do tempo (Foto: Divulgação/Fabrício Porto)

“Limita-ações: as coisas que guardamos”

Já Limita-ações: as coisas que guardamos é uma espécie de bricolagem da história da companhia Dionísos Teatro, com 24 anos de trajetória. O ponto de partida foi o novo espaço que guarda o material cênico do grupo: a garagem da casa do diretor Silvestre Ferreira. Para se manter em meio às restrições impostas pela pandemia, a Dionisos Teatro precisou vender a sede que ocupava desde 2001. Todo o material de cena, de um repertório de mais de 20 espetáculos, precisou ser reduzido para caber no novo local. O grupo, então, construiu uma obra artística que teve o processo criativo pautado nessas "limita-ações".

Seguindo a linha de trabalho já consolidada na companhia, de construção dramatúrgica dentro da cena, por meio da ação dos atores-criadores-compositores, o disparador da montagem foi o trabalho individual de criação de cenas de cada ator. Após essa criação inicial, os atores entraram em contato com os trabalhos uns dos outros e, com a intervenção da direção, essas cenas tiveram suas "limita-ações" cruzadas.

“Na pandemia, o vírus veio carregando tudo. Das coisas que guardamos, restaram figurinos, personagens, acessórios, panfletos, instrumentos e coisas que nem sabemos o que são. Todas numa garagem-depósito. No teatro do mundo on-line, os atores contam histórias das ‘limita-ações’ possíveis nesse espaço-tempo. Das coisas que guardamos é quase uma desmontagem de um grupo com 24 anos de existência, quase uma bricolagem de cenas, quase um cenário inteiro, quase um teatro”, diz a sinopse.

O FESTIVAL

A programação é resultado do edital Prêmio Funarte Festival de Teatro Virtual 2020. O objetivo era incentivar montagens para apresentação virtual e contribuir para a manutenção de coletivos, grupos e companhias. “Ele foi elaborado em meio a pandemia como uma saída, uma alternativa de fomento à classe artística, contemplando não apenas os artistas, mas também os técnicos”, declara Renata Januzzi, coordenadora de Teatro e Ópera da Funarte. Com o festival, a Fundação busca ainda estimular a democratização e acessibilidade à linguagem artística.

O Teatro Virtual faz referência e homenagem a outro projeto da Funarte, a Série Seis e Meia, que promovia shows de música sempre às 18h30. A ideia é manter o compromisso de levar arte ao público com assiduidade, em um horário acessível, mesmo que à distância. Os vídeos, previamente gravados, ficam disponíveis para o público após a exibição.

Renata Januzzi ressalta a força histórica do teatro, que hoje enfrenta mais um desafio para se manter presente. “O teatro é uma arte milenar e vem sobrevivendo a diversas ameaças de extinção. Dentre elas, a tecnologia, que já foi uma dessas ameaças, surge agora como uma solução de fomento a uma linguagem tão artesanal.”

OBJETIVO do Festival é incentivar montagens para apresentação virtual e contribuir para a manutenção de coletivos, grupos e companhias (Foto: Divulgação/Funarte)

PROGRAMAÇÃO

O festival teve início em 5 de agosto com O Homem e a Mancha (SP), texto de Caio Fernando Abreu. No dia seguinte, foi a vez de Zapato busca Sapato, da Trupe de Truões (MG). Na semana seguinte, foram exibidos A Casa de Farinha do Gonzagão e A Cripta de Poe, os dois de São Paulo.

Logo após, foram disponibilizados: Museu dos Meninos – Arqueologias do Futuro (RJ); Ombela (PE); Salto (PE); Suelen, Nara, Ian (CE); Maria Firmina dos Reis, uma voz além do tempo (MA); Épico – Casa Tomada (BA); Mar Acá (RR); A Borracheira (RO); Marília Gabriela não vai mais morrer sozinha (AM); Gibi (TO) ;Vestido Queimado (AM); 2068 (RS); Manual para náufragos (RS); e Pa Pe Lê – uma aventura de papel (SC).

SERVIÇO

Todos os vídeos ficam disponíveis em: bit.ly/FestivaldeTeatroVirtual. Na semana que vem, o festival inicia a agenda do Centro-Oeste, fechando a programação.

*Com informações da Funarte

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