Campanha do Inca (Instituto Nacional de Câncer), incentiva às mulheres a se cuidarem todos os dias e fazerem o tratamento preventivo contra o câncer de mama
Bryan Belati
Hoje (1), primeiro dia do mês de outubro, é a data na qual se iniciam as ações do Outubro Rosa, movimento internacional de conscientização para a detecção precoce do câncer de mama.
O projeto nasceu no início da década de 1990, quando o símbolo da prevenção ao câncer de mama — o laço cor-de-rosa — foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure é distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York (EUA) e, desde então, promovida anualmente.
O período é celebrado no Brasil e no exterior com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre o câncer de mama, a fim de contribuir para a redução da incidência e da mortalidade pela doença.
O objetivo do Outubro Rosa 2021 é divulgar informações sobre o câncer de mama e fortalecer as recomendações do Ministério da Saúde para prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento da doença.
A campanha divulgada neste ano pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), conta com o slogan “Eu cuido da minha saúde todos os dias, e você?”, com o objetivo de incentivar as mulheres a estarem em dia com os exames preventivos, como a mamografia e o autoexame, o qual ajuda a detectar a presença de alguma saliência do seio.
MITOS E VERDADES
O cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, doutor Luiz Haroldo Pereira, esclarece mitos e verdades sobre a mamografia. “O câncer de mama, quando diagnosticado precocemente, tem um índice muito grande de cura. Infelizmente essas lendas sobre o assunto, como a de que quem tem prótese não pode fazer mamografia, acabam comprometendo o diagnóstico precoce e dificultando o tratamento”, afirma o médico.
O cirurgião plástico explica que a mamografia é indicada a partir dos 40 anos, mas que o autoexame e a ultrassom devem ser feitos a partir dos 18 anos. “Na faixa de 40 a 50 anos, a indicação é que a mulher se submeta a esse método a cada dois anos, se não houver nenhuma alteração. A partir dos 50 anos, a mamografia deve ser anual. Já mulheres com histórico de câncer na família, ou seja, cujas mães, avós ou irmãs tiveram câncer de mama, devem iniciar a mamografia mais cedo, aos 35 anos, por conta do fator hereditário. O exame de mamografia é uma das principais armas de combate ao câncer de mama e temos que nos munir dela”.
Confira a lista com mitos e verdades realizada pelo Dr. Luiz Haroldo Pereira.
- Quem tem silicone não pode fazer mamografia Mito.
Todas as mulheres, quando na idade indicada, podem e devem fazer a mamografia anualmente. E o fato de terem próteses de silicone não impede em nada que esse importante exame de prevenção seja feito.
2. Silicone pode prejudicar o exame de mamografia
Mito. A primeira coisa que é preciso saber e deixar claro é que a mamografia pode ser feita em mulheres com próteses de silicone normalmente. No entanto, alguns cuidados são necessários no momento da realização do exame.
3. A mamografia pode ser dolorida
Verdade. O exame de mamografia consiste na compressão das mamas para obtenção das imagens. Sendo assim, é possível que o exame cause certo desconforto em algumas mulheres, independentemente da presença ou não dos implantes.
4. Fazer mamografia todos os anos é necessário para detectar tumores
Verdade. A mamografia é a principal forma de diagnóstico precoce da doença. Quem tem histórico familiar deve fazer o exame a partir dos 25 anos. As demais, após os 35, 40. O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura.
5. Faço o autoexame em busca de caroços. Não preciso de outros exames
Mito. O autoexame das mamas é uma prática positiva, que deve ser estimulada. Contudo, ele não é capaz de detectar vários tipos de tumores, especialmente aqueles em fase inicial, com maiores chances de cura.
CÂNCER
O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Cerca de 2,3 milhões de casos novos foram estimados para o ano de 2020 em todo o mundo, o que representa cerca de 24,5% de todos os tipos de neoplasias diagnosticadas nas mulheres. As taxas de incidência variam entre as diferentes regiões do planeta, com as maiores taxas nos países desenvolvidos.

Para o Brasil, foram estimados 66.280 casos novos de câncer de mama em 2021, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer de mama também ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil, com taxa de mortalidade ajustada por idade, pela população mundial, para 2019, de 14,23/100 mil. As maiores taxas de incidência e de mortalidade estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Os principais sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama são: caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor; pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja, alterações no bico do peito (mamilo) e saída espontânea de líquido de um dos mamilos. Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou na região embaixo dos braços (axilas).
FATORES
Não há uma causa única para o câncer de mama. Diversos fatores estão relacionados ao desenvolvimento da doença entre as mulheres, como: envelhecimento, determinantes relacionados à vida reprodutiva da mulher, histórico familiar de câncer de mama, consumo de álcool, excesso de peso, atividade física insuficiente e exposição à radiação ionizante.
Os principais fatores são Comportamentais, sendo eles obesidade, sobrepeso, atividade física insuficiente, consumo de bebida alcoólica; Hormonais, como primeira menstruação antes dos 12 anos, não ter filhos, primeira gravidez aos 30, uso de contraceptivos hormonais e ter feito terapia de reposição hormonal por mais de 5 anos.
Ainda existem os fatores hereditários que colaboram para o desenvolvimento de câncer de mama, como histórico familiar de câncer de ovário ou de câncer de mama em mulheres, principalmente antes dos 50 anos; e caso de câncer de mama em homem, e alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.
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